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Santo André e São Bernardo estão entre as 10 cidades com maior número de veganos no Estado

por allaf.silva última modificação 29/09/2016 19h37
Adeptos do movimento na região explicam como foi o processo da transição alimentícia

Publicado em 29/08/2016 15h43

Última atualização em 29/09/2016 19h37

Santo André e São Bernardo estão entre as 10 cidades com maior número de veganos no Estado
No ABC existem mais de 113 pessoas que não comem carne por serem veganas - Foto: Maristela Caretta/RRO

ALLAF BARROS
Da Redação*

O estilo de vida vegano não permite que seus adeptos comam carnes ou utilizem produtos que sejam testados ou de origem animal. De acordo com o Mapa Veg (uma ferramenta online desenvolvida por ativistas para monitorar a exploração de animais e disseminar a filosofia vegana) as principais cidades da região estão entre os 15 municípios com o maior número de veganos do Estado de São Paulo. São Bernardo está em 7° lugar no ranking.

A nutricionista da Policlínica da Universidade Metodista de São Paulo, Nathália Helena Rocha, acredita que a alimentação para pessoas veganas é algo que a sociedade não está preparada. “Requer que esse novo estilo de vida, adote o hábito de levar a própria comida aos locais que sejam públicos, leitura de rótulos alimentares para verificação de componentes de origem animal”, comentou.

Nathália avalia que pessoas com problemas prévios no sistema nervoso central ou problemas psíquicos, devem ter um acompanhamento ainda mais reforçado para não agravarem a doença pré-existente. “Qualquer pessoa pode seguir o veganismo, desde que acompanhado por médicos e nutricionistas”, recomendou.

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O especialista em nutrição humana pelo Imen (Instituto de Metabolismo e Nutrição) e vegano há doze anos, José Araújo de Oliveira Silva, também ressalta que há restrições para a adesão a esse estilo de vida. “Pessoas com erros inatos do metabolismo, doenças renais, alergias múltiplas e inflamações intestinais deverão ter respaldo e acompanhamento médico para essa dieta”, disse.

De acordo com Oliveira Silva, vários estudos associam a alimentação vegana a menores taxas de colesterol, diabetes, hipertensão e alguns tipos de câncer. Isso é, segundo ele, devido ao aumento de frutas, grãos integrais, legumes e verduras que essa dieta propõe. “É importante ressaltar que mesmo com a dieta vegana, se ela não for rica nesses alimentos, os benefícios não são garantidos”, explicou.

O nutricionista nota que existem veganos com hábitos alimentares ruins, com excesso de farinha, frituras e bebidas açucaradas. “Esse indivíduo está sujeito as doenças crônicas assim como os não veganos”, comentou.

Veganos na região

A analista comercial Ana Carolina Rosalino, 24, que é vegan desde os 18 anos, optou por seguir esse estilo de vida porque considera mais sensato. Para ela, existe toda uma indústria - não somente a alimentícia - que explora os animais. “Uma vez que se é contra a exploração animal, não é coerente consumir de forma direta ou indireta coisas que façam uso da exploração animal” falou.

Ana Carolina disse que as primeiras dificuldades que teve foram encontrar lugares que vendessem comida vegana pronta, restaurantes com opções para adeptos ao estilo e alternativas pra doces aqui no ABC. Mas ela relata que é uma questão de prioridades e adaptação. “Hoje em dia até sinto saudade de chocolate branco, mas tem ótimas opções veganas no mercado e nem me lembro de como é o gosto do convencional, já me adaptei”, disse.

O universitário Pedro Maltempi, 20, de Santo André, começou com a alimentação vegana em novembro de 2015, sendo vegetariano já há dois anos. Maltempi deixou de ser onívoro (pessoas que comem de tudo) por ser contra a indústria de carnes. “O sofrimento dos animais não é válido para a satisfação humana”, explicou. Para o estudante, a transição para o veganismo foi mais difícil que quando decidiu seguir uma dieta vegetariana.

Quando escolheu seguir esse estilo de vida Pedro passou por um acompanhamento com nutricionista. Para se tornar vegano ele pesquisou na internet e abandonou os alimentos que podem fazer mal até mesmo para os vegetarianos.

Maltempi desmente o mito que para ser vegano é necessário ter muito dinheiro. “A pessoa precisa apenas ter a disposição para fazer sua própria comida e saber se alimentar bem”, esclareceu.

*Esta reportagem foi produzida pelos estagiários da Redação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo

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