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Postos do ABC dispensam comprovação de idade para vacina da gripe A

Postos de São Bernardo, Santo André e São Caetano não solicitam comprovação de idade para vacinar população.

Publicado em 23/04/2010 18:33
Última atualização às 18:33

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Postos do ABC dispensam comprovação de idade para vacina da gripe A

Maria de Fátima Souza recebe a vacina em posto do Baeta Neves, em São Bernardo. A moradora não precisou comprovar idade.

Everson Garcia, Leandro Carneiro, Luigi Civalli e Vinícius Souto

A campanha nacional contra a gripe A (H1N1), organizada pelo Ministério da Saúde, definiu etapas de vacinação para priorizar os grupos mais afetados pela doença. De 5 a 23 de abril, além das grávidas, tinham direito à imunização pessoas entre 20 e 29 anos, grupo que concentrou 20% das mortes em 2009. Porém, são frequentes as denúncias de que os postos de saúde do ABC dispensam a comprovação da idade por meio de documento e, portanto, correm o risco de aplicar a vacina em pessoas fora do grupo de risco.

A reportagem acompanhou cinco pessoas a fim de conhecer o procedimento de nove postos de saúde do ABC. Do total, em cinco foi possível conseguir a vacina mesmo sem documento ou não fazendo parte do grupo definido pelo Ministério da Saúde (assista ao vídeo com depoimentos).
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Em São Bernardo, João Lima, 31, disse ter 29 anos e teve a vacina permitida nas UBS (Unidade Básica de Saúde) dos bairros Rudge Ramos e da Vila Dayse. “Foi fácil, não teve restrição nenhuma. Argumentei que estava sem R.G. e que não ia ter tempo de me vacinar depois, e deixaram eu tomar”, explica. João conta que nos postos da Vila Mussolini e da Vila Euclides, no entanto, as pessoas que o atenderam foram criteriosas. “Não tem documento? Então, não pode, volte depois. É recomendação do Ministério”, teriam dito o atendente.

Ainda em São Bernardo, Larissa Mota Batista, 21 anos, foi à UBS do Baeta Neves. Ela tem o direito de receber a vacina. Porém, não portava um documento que comprovasse sua idade. “Havia poucas pessoas, fui atendida rapidamente, pediram meu documento. Disse que estava sem e insisti, acabei tomando a vacina, sem problemas”.

Em São Caetano, acompanhamos a garota M. P., de 17 anos, no Centro de Saúde Manoel Augusto Pirajá da Silva, na avenida Goiás. Também foi fácil conseguir a vacina. “Entrei na fila, agi normalmente, como se eu pudesse tomar. Me chamaram na sala, aplicaram a injeção e fui embora”, conta.

Em Santo André, as tentativas foram nas Unidades de Saúde da Vila Linda, do Jardim Alvorada e do Parque das Nações. Nas duas primeiras, o estudante V. A., também de 17 anos, foi barrado em ambas as situações. “Não teve jeito, tentei, tentei, mas disseram que a minha idade não pode, porque não sou do grupo de risco”. Já no Parque das Nações, uma secretária de 19 anos, que prefere não ser identificada, conseguiu a vacina. “Sem dificuldades, cheguei e a mulher já autorizou. Só não tomei porque fiquei com receio, se não é para eu me vacinar agora, prefiro ficar sem”.

As prefeituras de São Bernardo e Santo André afirmaram que a orientação do Ministério da Saúde foi passada para os postos. E que, diante dos fatos apresentados na reportagem, vão apurar junto aos responsáveis. Procurada, a prefeitura de São Caetano não respondeu à solicitação.

A vacina é necessária
Muitas pessoas que podem se vacinar não vão aos postos de saúde por receio, falta de informação ou por acreditarem em dados não oficiais que circulam pela internet. De acordo com o Ministério da Saúde, nenhum efeito adverso grave foi confirmado no Brasil, assim como não há relato de reação negativa no mundo, onde foram aplicadas mais de 300 milhões de doses da vacina.

Em comunicado oficial, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que as pessoas não devem deixar de se vacinar. “O calendário de vacinação foi pensado para proteger a população antes do período em que há maior transmissão das doenças respiratórias. A imunização é garantida 15 dias após a aplicação. Ou seja, se as pessoas que são mais vulneráveis não procurarem os postos no período correto, estarão sujeitas às formas mais graves da doença, o que pode levá-las a morte”.

Mesmo assim, Júlia Neves, 23, prefere ficar sem a vacina. Ela diz que muitos amigos tiveram febre muito forte. “Tenho medo de ter reações, acho melhor tomar as precauções que foram divulgadas no ano passado, como usar o álcool gel, do que tomar esta vacina”. Caio Cruz, 22, não concorda. Ele explica que se o Ministério da Saúde fez a opção por alguns grupos é porque há estudos. “Tomei a vacina no segundo dia do período permitido. A gripe A matou muita gente no ano passado, não quero correr esse risco. Estando protegido, me sinto melhor em frequentar ambientes com muita gente”.

Os grupos priorizados (idosos, doentes crônicos, grávidas, profissionais da saúde, indígenas, crianças de seis meses a dois anos e adultos de 20 a 29 e de 30 a 39 anos) foram selecionados em consenso com sociedades científicas, entidades de classe e representantes de Estados e municípios. Ao todo, o Ministério da Saúde adquiriu 113 milhões de doses para vacinar 91 milhões de pessoas contra gripe A. A meta é imunizar pelo menos 80% do público.

A campanha continua 
Até o dia 7 de maio, vai estar em vigor a Campanha Nacional de Vacinação do Idoso (mais de 60 anos) contra a gripe comum, como ocorre todos os anos. Se o idoso tiver alguma doença crônica, também será vacinado contra a gripe A.  

Adultos de 30 a 39 anos serão imunizados na última etapa de vacinação, de 10 a 21 de maio. A meta é vacinar 29,1 milhões de pessoas. Esta faixa etária apresentou 15% dos casos da doença e 22% dos óbitos em 2009.

Adultos que não fazem parte de nenhum desses grupos e crianças e jovens de 2 a 19 anos têm a possibilidade de se vacinar em laboratórios privados. As doses custam, em média, R$ 85.

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