Reposição hormonal pode acelerar desenvolvimento de câncer

Mulheres na fase da menopausa devem decidir junto ao médico qual o melhor tratamento

Publicado em 15/05/2011 14:45
Última atualização às 14:44

RENAN VIEIRA
Especial para o RROnline*


A terapia de reposição hormonal (TRH) é um tratamento para a menopausa que ocorre quando o organismo feminino para de produzir o hormônio estrógeno. Essa substância serve, por exemplo, para fixar o cálcio nos ossos. A falta dela pode provocar problemas de saúde, mas o tratamento de reposição pode trazer complicações, como antecipar o desenvolvimento de um câncer.

Normalmente, a menopausa ocorre em mulheres com idade entre 45 e 55 anos. Não é classificada como doença, mas como uma passagem natural do estado reprodutivo para o não reprodutivo. A perda de estrógeno é constatada por meio de exames clínicos e a reposição de hormônios é decidida de acordo com as condições da paciente.

“Se a mulher entra na menopausa, diz que não tem nada e não sente as ondas de calor, não há a necessidade de ser fazer a reposição”, afirmou o ginecologista Élvio Floresti Júnior.  Ele explicou, ainda, que seria necessária a reposição hormonal se a paciente apresentasse de forma precoce os sintomas da menopausa.

Existe uma preocupação com relação ao tratamento por causa dos efeitos colaterais. A alta dosagem de estrógeno por muito tempo pode aumentar a incidência de tumores. De acordo com o diretor do Centro de Atendimento Integral à Saúde da Mulher de São Bernardo do Campo (CAISM), Rodolfo Strufaldi, a antecipação do risco de desenvolver câncer de mama, por exemplo, é de 26% em pacientes que têm tendência.

A quantidade de hormônio aplicado é baixa, porque histórico clínico e fatores hereditários podem definir se uma paciente tem ou não tendência a desenvolver câncer. “Além do estrógeno, que é para tirar as ondas de calor, é preciso considerar a progesterona, que é um outro hormônio produzido pelos ovários para que útero não fique com uma camada muito espessa e isso aumente o risco de câncer de útero”, declarou Strufaldi.

Laurice Castiglione, aposentada de 56 anos, passou a sentir ondas de calor pela primeira vez há quatro anos, quando os ovários deixaram de funcionar e por causa dos efeitos colaterais do tratamento não toma nenhuma medicação. “A médica disse que não pode me dar estrógeno porque eu posso desenvolver câncer, então, eu não faço reposição hormonal”. Laurice falou, também, que sente fogacho, mas acredita que não na mesma proporção das outras mulheres que apresentam os sintomas da menopausa.

As contraindicações para fazer reposição hormonal são histórico familiar de câncer, fumantes, pacientes que já tiveram câncer ou trombose. Em razão disso, há mulheres que optam junto ao médico pelo uso de hormônios naturais, os fitoterápicos. A dosagem é de uma ou duas vezes ao dia e pode ajudar a aliviar os sintomas da menopausa, conforme disse o ginecologista Floresti. “São eficazes para tirar as ondas de calor, mas não tão eficazes quanto à reposição de estrógeno. A vantagem dos fitoterápicos é que agem como os hormônios, mas não são hormônios”.

Strufaldi, que é especializado em reposição hormonal, alerta que, mesmo com a medicação natural, é necessário fazer exames periódicos. “Não pode deixar de fazer controle. As pacientes acham que estão tomando um produto natural e não fazem mais mamografia, não fazem mais ultrassom, não fazem mais nada”. Além disso, ele afirmou que não há um limite de tempo para se tratar com hormônios fitoterápicos porque não existe um estudo comprobatório da eficácia. Para a reposição de estrógeno, no entanto, estima-se de cinco a dez anos o período de tratamento.

Aos 58 anos de idade, Cristina fez a terapia de reposição hormonal por 14 anos. “Eu entrei na menopausa aos 40 anos de idade e tive muitos sintomas como insônia, mudanças na pele e de humor, dores de cabeça, falta de libido”, declarou. Ela explicou que procurou um homeopata para realizar o tratamento e evitar as doses de estrógeno, mas, depois de quatro anos, ele recomendou que ela procurasse um ginecologista porque os paliativos não estavam funcionando.

 “O médico me falou que o tratamento duraria cerca de cinco anos, mas após esse tempo os sintomas não desapareceram. Fiquei mais cinco anos repondo hormônios, até que o ginecologista decidiu parar de vez. Por insegurança, eu passei a me automedicar com fitoterápicos por mais três meses, até que caiu a ficha do que eu estava fazendo”, disse. 

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

 

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