Dengue tipo 4 preocupa especialistas
PEDRO ROCHA
ANDRÉ DONKE
HEITOR NEVES
Especial para o RRonline*
Há 17 anos foi registrada a primeira epidemia de dengue no Brasil. Desde então, os tipos de doença mudaram, assim como a forma de combatê-los. Atualmente, o avanço da dengue tipo 4 tem sido motivo de preocupação para os médicos.
Para a infectologista dos hospitais Cruz Azul e do Servidor Estadual, Cátia Cristina Carpinelli, o fato de ainda ser incomum no país torna o tipo 4 o mais perigoso. "As pessoas não têm imunidade contra esse tipo de vírus. Por isso nós temos receio de a manifestação ser pior", afirmou.
Os sintomas da dengue tipo 4 são parecidos com os outros tipos de dengue. Os sintomas variam de um paciente para outro.
Além do tipo 4, existem outras três formas de dengue. A clássica, que é a mais leve e chega a ser confundida com uma gripe forte. Os sintomas são febre alta, dores de cabeça e musculares, enjôos, vômitos, entre outros. Outro tipo de dengue é a infecção inaparente, que se dá quando a pessoa tem a doença, mas não apresenta nenhum sintoma.
Além disso, há a dengue hemorrágica, que é o tipo mais grave da doença. Os sintomas são os mesmos da forma clássica. A diferença é a possibilidade de sangramentos pelo nariz, boca e gengiva. A dengue hemorrágica pode levar o infectado à morte em até um dia. O Ministério da Saúde estima que cerca de 5% das pessoas infectadas por esse tipo morrem.
Segundo Carpinelli, uma pessoa que já teve dengue não está imunizada de pegar a doença novamente. "Se o paciente pegou a dengue tipo 1, ela está imunizada apenas contra o tipo 1. Mas existem outros três tipos de dengue”, declarou a infectologista.
Estratégia para o verão - Com a proximidade do verão, a preocupação quanto à proliferação do mosquito transmissor da doença , o Aedes Aegypti, é maior, pois há bastante chuva nessa época do ano. O Ministério da Saúde calcula que 25% da população brasileira seja atingida pelo mosquito nessa estação.
Para evitar a proliferação, o papel dos agentes comunitários de saúde é fundamental. Uma delas é Máurea Benedita Dias Mota, que auxilia na prevenção no bairro Jardim Ipê, em São Bernardo, há 12 anos. “Nosso papel é conscientizar a população das necessidades, informar, orientar e vistoriar as casas para evitar a dengue.”
As visitas são mensais. Os agentes não só contam com a colaboração de cada morador na hora de adotar as medidas propostas, como também na ajuda a disseminar os métodos de prevenção da doença entre a vizinhança.
Esse é o caso da dona de casa Maria Lúcia Duarte. “Todos os meses os agentes passam nos orientando a prevenir a doença. É importante seguir as recomendações, passá-las para os vizinhos e também verificar se estão fazendo da maneira correta.”
*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

