Mamografia identifica tumor e aumenta chance de cura em até 90%
Caism de São Bernardo atende 600 pacientes por mês, mas não há filas de espera - Foto: Jéssica Rodrigues
JÉSSICA RODRIGUES
Da Redação*
Criada há 80 anos, a mamografia ainda é o exame mais importante para prevenção do câncer de mama. Em 2011, só em São Bernardo, foram registradas 240 mulheres com a doença. O diagnóstico feito no estágio inicial do tumor aumenta em até 90% a chance de cura.
A taxa de mortalidade na cidade é menor que a do Estado. Os dados mais recentes são de 2008 e mostram que em São Bernardo a média é de 14,6 mortes a cada 100 mil mulheres. Já o Estado de São Paulo teve 15,5 mortes a cada 100 mil mulheres.
O ginecologista Rodolfo Strufaldi diz que esses números estão diretamente relacionados à rapidez do atendimento à paciente. “Toda mulher entre 35 e 40 anos normalmente tem que fazer uma mamografia. Casos específicos, onde há antecedentes familiares de câncer de mama, o exame é indicado antes dessa idade. Depois dos 40 anos até os 50 deve se fazer a mamografia a cada dois ou três anos. Após os 50 anos de idade, é preciso fazer o exame todos os anos.”
Além da mamografia, o médico indica o auto-exame como uma forma de identificar a doença no início. Mas diz que não há como se prevenir do câncer de mama. “O que se pode fazer é um diagnóstico precoce. Essa é uma doença genética, não está relacionada como estilo de vida.”
O Inca (Instituto Nacional do Câncer no Brasil), por sua vez, afirma que a obesidade e ingestão de álcool, mesmo em quantidade moderada, aumentam o risco de se desenvolver outros tipos de câncer.
Strufaldi também é gestor do Caism (Centro de Atenção Integral da Saúde da Mulher) de São Bernardo, que atende em média 600 pacientes por mês. “A previsão é que a cada ano seis novos casos da doença surgirão em grupos de mil mulheres.”
A diarista Emilia Barbosa, 48 (à esq., na foto ao lado) tem diabetes e é atendida no Caism desde o começo do ano passado. “Num exame de prevenção apareceu um cisto no meu útero. As consultas foram marcadas em cerca de um mês. Hoje eu já estou bem, sempre fui bem atendida.”
Já a dona de casa Dalva Brito, 60, (à esq., na foto abaixo) fazia sua primeira consulta no hospital quando foi entrevistada.
A filha de Dalva , Erica Brito, diz que fez um ultrasson no Caism há 11 anos, e conta que o cenário mudou. “Tinha muita gente”.
A paciente Ângela Maria de Oliveira diz que os profissionais desses lugares são atenciosos. “Eles te tratam como ser humano.”
O auto-exame
O Inca não indica o auto-exame como um diagnóstico isolado. Muitas vezes, ele pode estar errado e causar uma falsa sensação de segurança ou pânico desnecessário. Por isso o ideal é ir periodicamente ao ginecologista, que fará o exame clínico.
Segundo o médico Rodolfo Strufaldi, a mulher pode fazer o auto-exame durante o banho ou deitada na cama. “A palpação da mama deve ser feita uma vez por mês. Mulheres que ainda não chegaram à menopausa precisam fazer até uma semana depois da menstruação. “

