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Coletivos de consumo vendem produtos orgânicos online

por aluno última modificação 27/04/2015 08h44
Consumidores compram e retiram alimentos em data e horário definidos

Publicado em 23/04/2015 08h55

Última atualização em 27/04/2015 08h44

Coletivos de consumo vendem produtos orgânicos online
Natalia Wazny compra na feira orgânica de Santo André há quatro meses - Foto: Lauana Santos

LAUANA APARECIDA
Especial para o RROnline*

Consumidores de produtos orgânicos já podem contar com mais locais para compra no ABC. A feira orgânica noturna de Santo André deixou de ser a única referência para os produtos na região. Agora, dois coletivos entraram no mapa de distribuidores orgânicos: um também em Santo André, na Universidade Federal do ABC (UFABC), e outro em Diadema, na Associação Oeste. Ambos integram o Coletivo de Consumo Rural Urbano (CCRU).

Para a compra dos alimentos, os coletivos trazem uma nova proposta. O consumidor acessa o site do CCRU e faz seu pedido de compra escolhendo os alimentos. Depois, retira a mercadoria na associação ou no campus da universidade, nas datas e horários definidos.

“A ideia de comprar on-line e pagar antecipado quer superar qualquer prejuízo. As vendas são combinadas e não há perda e nem desperdício”, explica Renata Silva, que integra a equipe do CCRU de Diadema. Ela ainda destaca a dificuldade da mudança de hábito por parte do consumidor, que tem de organizar a compra dos alimentos antecipadamente, mas explica que o coletivo também faz distribuição em outros eventos da associação, para as pessoas que não têm acesso à internet.

Segundo Renata, o grupo do CCRU de Diadema já tinha experiência no desenvolvimento de outros coletivos de consumo. “Inicialmente, foi uma proposta instintiva de popularizar o acesso à alimentação produzida com técnica agroecológica e de desenvolver uma relação direta entre produtores familiares organizados no campo e os trabalhadores organizados na cidade”, explica.

Renata conta que a relação entre o CCRU de Diadema e o de Santo André se dá pela solidariedade em rede. São organizações autônomas e independentes, com finanças e meios de comunicação próprios.

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O CCRU de Diadema ressalta que há visitas e participação em ações conjuntas com os produtores e fornecedores dos orgânicos. “Entramos em contato com o produtor, filmamos sua produção e explanações sobre o assunto. Verificamos os produtos disponíveis, preços e qualidade, organizamos a compra coletiva e acompanhamos o recebimento dos alimentos, cuidando de sua recepção e de seu armazenamento”, garante Renata.

A nutricionista Gleicy Carmo aponta que, apesar da pouca acessibilidade destes alimentos pelo custo elevado, há estudos que sugerem que eles melhoram a saúde e previnem doenças. “Busco incentivar uma alimentação saudável e equilibrada aos meus pacientes, de acordo com suas patologias”, afirma a nutricionista.

Feira orgânica noturna

A feira orgânica de Santo André é realizada às quintas-feiras, das 17h às 21h, no Paço Municipal e, agora em abril, completou um ano de funcionamento. Os comerciantes Aline e Sidnei Leão contam que os produtos vêm de várias regiões do país. "Hortifrúti orgânico é mais difícil de conseguir, pois nem todos os fornecedores possuem certificado", explica Aline.

O que comprova a origem orgânica de um produto é o selo do Ministério da Agricultura e certificados como o do Instituto Biodinâmico (IBD) e do Ecocert Brasil. "Costumo ter na barraca uma pasta com o certificado de cada produto. Até mesmo os que têm o selo orgânico, eu peço o certificado ao produtor", destaca Aline.

A estudante Natalia Wazny, 19 anos, frequenta a feira orgânica de Santo André há quatro meses, quando começou a entender o que é um alimento livre de agrotóxico e a estrutura da agricultura orgânica. “O horário é ruim, porque eu estudo à noite, mas só encontro esses produtos aqui", diz a estudante. Perguntada se já teve dúvidas sobre a origem dos orgânicos, ela responde: “Nessa feira eu confio, então não pergunto para os feirantes sobre o selo ou certificado”. Natalia aderiu recentemente ao coletivo CCRU na UFABC, onde estuda, e conta que é a única da família a fazer um consumo consciente e mais saudável dos alimentos, mas incentiva aos poucos o restante dos familiares.

Serviço:
CCRU Associação Oeste
Endereço: Rua Maria Aparecida, n° 50 - Conceição - Diadema
Site: www.coletivocruabc.blogspot.com.br

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

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