Você está aqui: Página Inicial / Notícias / Saúde / 2016 / Problemas de saúde em jovens são resultado da má alimentação

Problemas de saúde em jovens são resultado da má alimentação

por aluno2016 última modificação 17/03/2017 08h08
Refrigerantes, doces e pães estão entre os 10 alimentos mais consumidos por adolescentes no Brasil

Publicado em 07/02/2017 08h44

Última atualização em 17/03/2017 08h08

Problemas de saúde em jovens são resultado da má alimentação
Mais de 80% dos adolescentes brasileiros consomem sódio acima dos limites recomendados pela OMS - Foto: Julia Centini/RRO

DANIELA PEGORARO
GABRIELA FERREIRA
PAULA GOMES
Especial para o RROnline*

Colesterol alto, diabetes, hipertensão e obesidade são doenças que estão se tornando cada vez mais frequentes entre os jovens brasileiros por conta da má alimentação. Uma pesquisa publicada em julho de 2016 pelo ERICA (Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes), pelo Ministério da Saúde e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostra que adolescentes entre 12 a 17 anos têm se alimentado mal. Dentre os 20 principais alimentos consumidos, 10 são considerados como não saudáveis, estando em 3° pães, 6° refrigerantes e em 7°, doces e sobremesas.

As frutas são quase esquecidas pelos jovens, aparecendo apenas em 20° lugar na lista de alimentos mais consumidos dos 12 aos 13 anos. “Frutas não são atraentes para as crianças porque muitas vezes os pais não as ensinaram a comer”, diz a nutricionista Juliana Dragone.

Esses hábitos causam danos à saúde e o aparecimento precoce de doenças. É o caso de Marcela Zane, 21, que tirou a vesícula aos 12 anos. “Alguns alimentos causavam dor abdominal, como macarrão instantâneo, doces, ovos e frituras. Quando fui ao médico, ele me disse que eu precisaria passar pela cirurgia de retirada da vesícula”. O órgão é responsável por armazenar bile, enzima que “quebra” a gordura dos alimentos durante a digestão.  

De acordo com Marcela, as pedras na vesícula foram causadas pela quantidade excessiva de colesterol no sangue. A jovem afirma que ainda não passou por uma mudança de alimentação e continua consumindo os mesmos alimentos.

Fonte: Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes), Ministério da Saúde e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2016

Segundo a pesquisa ERICA, mais de 80% dos adolescentes consomem sódio acima dos limites máximos recomendados e 100%  dos pesquisados ingerem vitamina E e cálcio abaixo do adequado. Para os adolescente, a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda o consumo diário de menos de dois gramas de sódio e, no mínimo, 1300 mg de cálcio. “Esse jovem pode ter deficiência de vitaminas e minerais, além de apresentar um início de osteoporose devido ao consumo baixo de cálcio”, explica a nutricionista Juliana Dragone.

Juliana argumenta que os pais são os maiores culpados pela má alimentação de crianças e adolescentes. “Os adultos não se alimentam corretamente, acham que não precisam comer alimentos saudáveis. Os pequenos só reproduzem esse comportamento”. A psicóloga Sandra de Lima afirma que os pais são os espelhos dos filhos até uma certa idade. “A boa alimentação tem que começar na família”.

Muitas vezes, o preço dos alimentos é o principal fator de escolha na compra do supermercado, ouça na reportagem:

Além da influência familiar, os jovens também podem acabar comendo em excesso por conta da ansiedade e da compulsão alimentar. “A compulsão pode ser considerada uma doença e não tem uma causa única. As pessoas comem porque é prazeroso”, diz a psicóloga. De acordo com ela, é necessário que esses jovens procurem um acompanhamento médico e não ajam sobre conta própria. “O adolescente deve fazer um tratamento para saber o que está acontecendo, precisa adotar a reeducação alimentar e, se for o caso, o uso de medicamentos receitados pelo médico”, afirma Sandra de Lima.

A estudante Renata Nogueira Alencar, 16, descobriu que tinha colesterol alto há três meses com um exame de rotina. “Sempre gostei de comer doces e acabava exagerando”, comentou. Renata conta que logo que descobriu o colesterol alto o médico recomendou remédio para controlá-lo. “O nível estava muito além do limite permitido e nesse período de tratamento, tentei diminuir as sobremesas e me alimentar de vegetais e salada”. No último mês, Renata fez exame de sangue e percebeu que as taxas de colesterol já diminuíram.

Luiz Martins,18, tinha 15 anos quando descobriu que sofria de gastrite, o que lhe causava muitas dores no estômago. Martins estudava o dia todo e não conseguia comer corretamente. “Eu não tinha o hábito de almoçar. Estudava perto de um shopping e comia nas lanchonetes. Salada, só em sanduíches de fast food”. Depois da gastrite, Martins mudou os hábitos alimentares. “Passei a comer verduras e frutas todos os dias. Cortei os lanches, frituras e refrigerantes”. Ele não faz acompanhamento médico por falta de plano de saúde, mas afirma que desde que mudou sua alimentação, tem se sentido melhor.

Alguns sintomas decorrentes da má alimentação são percebidos rapidamente. “Em caso de obesidade, o paciente apresenta problemas na coluna, quadril e joelho. A hipertensão pode causar mal estar, dificuldade de atenção e tontura”, conta o cardiologista Rogério Krakauer, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo. O médico diz que essas doenças precisam ser diagnosticadas o mais rapidamente possível, pois os jovens podem mudar seu estilo de vida com mais facilidade do que os adultos.

Mas nem todos os adolescentes se alimentam mal. Confira na reportagem relatos de pessoas que fazem questão de levar uma vida saudável:

 

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

 

Ações do documento