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Comer rápido engorda e faz mal para saúde

por guilherme.guilherme última modificação 06/12/2017 11h00
Cérebro demora em média 20 minutos para processar mensagem de saciedade

Publicado em 06/12/2017 10h59

Última atualização em 06/12/2017 11h00

Comer rápido engorda e faz mal para saúde
Alimentação desregrada, como lanches e pizzas podem fazer mal à saúde se consumidos com regularidade - Foto: Marcia Sousa/RRJ

MARCIA SOUZA
Especial para o Rudge Ramos Jornal*

A digestão começa pela boca, por meio dos dentes e saliva. Por isso deve-se tomar cuidado com a alimentação. Devido a correria do dia a dia, a maioria das pessoas não dispõe de tempo para fazer as refeições. Muita gente apenas engole a comida, pulando a mastigação, uma etapa muito importante no processo digestivo.

Sem contar que esse hábito aumenta a tendência de engordar. Como o organismo fica sobrecarregado de comida, a consequência é o acumulo de gordura. O cirurgião digestivo Roberto Xavier esclarece que a forma correta é mastigar bem os alimentos, dar em média 30 mastigadas em cada garfada antes de engolir os alimentos.

É que o cérebro demora em média 20 minutos para enviar uma mensagem de saciedade ao hipotálamo, região do cérebro que controla a fome, avisando que está satisfeito. Por isso, além de causar problemas na digestão, comer muito rápido também pode causar excesso de peso.

Onde comer também influencia. Almoçar em casa é um hábito difícil para muitos. Morar longe do emprego e trânsito intenso fazem com que as pessoas optem por comer no local de trabalho ou próximo a ele.

O professor Márcio Fernandez, 34, mora no bairro do Eldorado, em Diadema. Ele disse que almoça em 20 minutos, mesmo sabendo que se trata de uma atitude inadequada, mas admite que é a única forma de se alimentar durante a hora em que está no trabalho.

Já para a auxiliar de produção Verônica Marques, 39, moradora do bairro Esperança, em São Bernardo, 30 minutos não são suficientes para lavar as mãos, almoçar, escovar os dentes e retornar ao trabalho. Ela observa também que esse hábito já lhe rendeu uns quilinhos extras.

A estudante Rebecca Scarabel, 16, mora no bairro Vila Guaraciaba, em Santo André, e disse ter uma rotina mais tranquila. A jovem consegue organizar seus horários de estudo no ensino médio e na preparação para o vestibular sem descuidar da sua alimentação.

Para ela, o ganho está na tranquilidade durante a refeição e na qualidade do alimento. “O meu humor é muito melhor. A hora da refeição é sagrada. Para mim a coisa fundamental é o prazer de mastigar.’’

A nutricionista Renata Rita de Oliveira alerta que se deve fazer cinco refeições ao dia, em local calmo e agradável, e os alimentos devem ser mastigados devagar. As pessoas têm que ter preferência pela mastigação dos alimentos, para facilitar a digestão e evitar a distensão abdominal.

Conforme o cirurgião digestivo explicou, embora tenha gente que come em menos tempo, o ideal é que se faça isso pelo menos uma hora. Ele adverte também que a pausa após o almoço não é para dormir, e sim para dar o tempo necessário à digestão.

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Alimentação

Para quem tem dificuldade de comer devagar, a nutricionista Renata dá algumas dicas: respirar enquanto come, repousar o talher no prato enquanto mastiga, respeitar os 15 minutos no relógio, ou seja, saborear o que come, mastigar os alimentos e não apenas engolir.

Deve-se evitar comer fazendo outras atividades, como ler, assistir televisão, mexer no celular ou acessar a internet.  “Quando se presta atenção no que está comendo, é possível   saborear melhor os alimentos, comer devagar faz com que você aproveite o momento, tornando a refeição algo agradável e prazeroso.’’

De acordo com a especialista, partir o alimento em pedaços menores e comer devagar também ajuda a aumentar a saciedade. Uma boa a dica é colocar na boca pedaços que tenham a metade do tamanho da língua, para caber dentro da boca sem problemas.

Para quem gosta de beber durante as refeições, saiba que esse hábito pode também aumentar o valor calórico da dieta. Para não atrapalhar a digestão, a dica é ingerir no máximo 200 ml de água sem gás durante a refeição.

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

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