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Parto humanizado prioriza conforto e bem-estar da mulher

por erika.motoda última modificação 01/09/2017 11h24
Unicef e Ministério da Saúde recomendam a modalidade

Publicado em 31/08/2017 11h23

Última atualização em 01/09/2017 11h24

Parto humanizado prioriza conforto e  bem-estar da mulher
Mulheres estão aderindo ao parto humanizado - Foto: Natália Florentino/RRJ

NATÁLIA FLORENTINO
Especial para o Rudge Ramos Jornal*

Normal ou – por incrível que possa parecer - cesariana. Humanizar o tratamento dado às mães na hora em que dão à luz seus filhos é o que importa. 

O parto humanizado é o que prioriza o bem-estar e conforto da mãe. Tanto que esse método é defendido pela Unicef (Agênciadas Nações Unidas para a Infância) e integra diretrizes do Ministério da Saúde.

Segundo a Unicef, “[Esse método] deve respeitar as expectativas da mulher e levar em conta as condições de saúde dela e do bebê”.

“Não estava doente para ter filho no hospital”. Decidida, a jornalista Liora Mindrisz, 31, casada e mãe da Adélia, 2, afirmou desde o início da gravidez que não daria chances à cesariana. “Sabia dos benefícios do parto normal, e a cesárea era uma cirurgia que eu não gostaria de fazer.”
Adélia nasceu de forma natural e humanizada em uma casa de parto, em Sapopemba, bairro da zona Leste de São Paulo. “Fui para o chuveiro, depois para a banheira e para a bola de pilates. Tive autonomia para andar, comer, ouvir música. Adélia não nasceu em uma mesa cirúrgica, com luzes fortes e intervenções desnecessárias.”

Liora mora com a família no Centro de Santo André e encoraja outras grávidas a optarem pelo parto natural. “Se eu fiz o meu bebê, ele pode passar por mim. Nosso corpo foi feito para isso”, disse referindo-se a algumas orientações arbitrárias que, em muitos casos, influenciam mães a desistirem do parto normal e realizarem cesáreas de forma desnecessária.

O Brasil ainda ocupa o 2º lugar no mundo em incidência de cesarianas, de acordo com dados da Unicef. Grande parte acontece de forma eletiva e sem esperar o trabalho de parto espontâneo, que mostra que o bebê está “pronto” para nascer.

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Informação

Camila Marpica, 27, é mãe da Lorena, de 6 meses, que por pouco não nasceu antes do tempo. Mesmo saudável durante a gestação e disposta a dar à luz de forma natural, foi surpreendida pelo obstetra, ao completar 38 semanas, para fazer uma cesariana.

“Se não tivesse me informado sobre parto durante toda a gravidez, era bem possível que tivesse me rendido à pressão dele”, contou Camila, que é bancária e moradora do bairro Valparaíso, em Santo André.

Camila não teve dúvidas, mudou de médico. “Uma amiga indicou uma médica humanizada que aceitou pegar meu caso.”

Na 40ª semana, a bancária entrou em trabalho de parto espontâneo. O que Camila e o marido, Ricardo, não esperavam é que o nascimento de Lorena traria mais emoções que o de costume. “No caminho para o hospital, as contrações pioraram. Até a hora que tive certeza de que ela nasceria no carro.”

Lorena veio ao mundo pelas mãos de uma doula sob orientação da obstetra (por telefone). Apesar dos riscos, Camila afirma que nem ela nem o marido sentiram medo. “Fomos inundados de amor. No hospital, ela ficou no meu colo o tempo todo e teve o cordão umbilical cortado só quando ficou branquinho. O tempo dela e o meu foram respeitados.”

Indução

Já a designer gráfica Marília Piva, 29, moradora de Santos, passou pela cesárea. Mas não foi impedida de ter um acompanhamento humanizado da gestação do único filho, Benjamin, de quase um ano. Marília disse que a gravidez foi “super tranquila”, indicando que o sonhado parto normal aconteceria. Surfou quase todo dia, autorizada pelo obstetra. Quase não engordou.

Isso até os seis meses, quando foi surpreendida por uma pré-eclâmpsia, que encurtou sua gravidez e a obrigou a decidir com qual tipo de parto daria à luz seu filho. “O médico me deu a opção da cesárea ou de induzir o parto normal. Se ele não fosse humanizado, nunca cogitaria a indução.”

Benjamin nasceu aos 7 meses. Tive uma cesariana humanizada. Eu estava muito nervosa e ele [obstetra] me abraçou e me tranquilizou”, disse, entre um choramingo e outro de Benjamin. 

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

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