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Aumenta tendência de depressão de alunos por conta da vida acadêmica

por gabriel.chames última modificação 03/09/2018 13h15
Segundo pesquisa jovens entre 15 e 29 anos tem tendência de suicídio. Estresse, ansiedade e insônia são os principais fatores para a doença

Publicado em 03/09/2018 13h12

Última atualização em 03/09/2018 13h15

Aumenta tendência de depressão de alunos por conta da vida acadêmica
Estudo mostra a universidade como um dos locais mais triste para o estudante Foto: Divulgação

Gabriel Batistella
Da Redação*

É comum no cotidiano do universitário enfrentar problemas. Se perguntar para qualquer estudante ele dirá que os mais comuns envolvem aulas, tarefas, provas, seminários e projetos interdisciplinares. Ao stress da vida acadêmica, somam-se ainda questões amorosas e profissionais. O mix de vida universitária e acadêmica pode resultar, para alguns, sérios distúrbios psicológicos que podem até levar à morte.

De acordo como uma pesquisa veiculada em junho, pela OMS (Organização Mundial da Saúde) não tem sido raro o suicídio entre os jovens de 15 a 29. A ANDIF (Agência Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais) representação oficial das universidades federais na interlocução com professores e governo, indicou que 80% das causas seriam ansiedade, insônia, estresse, depressão. O Brasil está entre os países cuja população possui um dos maiores índices de depressão ( 5,7% ) ,  o maior registrado na América Latina.

Estudante de medicina Erick Tengan, 22, disse que passa por depressão e recentemente tentou cometer suicídio não só pelos problemas emocionais, mas também pela rotina acadêmica que influenciou tal decisão. Ele fala um pouco da convivência com a doença. “Não é uma sensação só de tristeza; envolve várias coisas. É uma sensação de não sentir vontade de fazer nada, falta um ímpeto da vida. São várias noites mal dormidas eu não conseguia pensar em exatamente nada; somente nos problemas emocionais”. O aluno conta de que forma encarou o problema na universidade. “No começo da minha vida acadêmica era tranquila, eu levava tudo na maior paz possível, até que apareceram os problemas emocionais, tornando a vida universitária mais um catalisador para a depressão”.

A psiquiatra de Dra. Jessica Barbosa, 34, fala sobre como a vida acadêmica pode interferir no emocional do estudante. “Vivemos em uma era em que as pessoas, principalmente adolescentes, lutam o tempo todo por satisfazer as expectativas, suas e dos outros. A vida acadêmica do adolescente é cercada de cobranças, provas e expectativas quanto o futuro, qual profissão escolher, qual relacionamento seguirá, se terá filhos. É como se o adolescente tivesse que tomar todas as decisões importantes de uma vez só”.

Ela disse também como os jovens devem controlar a ansiedade por um futuro promissor, e porque o estudante tem medo de falar sobre seus problemas. “A sociedade cobra decisões muito cedo dos adolescentes. Com 16, 18 anos é muito complicado tomar tais decisões, mas o erro, o arrependimento e a angustia são normais durante toda a nossa vida. O adolescente está em fase de formação de sua personalidade, o que leva a inseguranças em relação ao seu jeito, ao seu comportamento e às suas decisões, por isso muitas vezes evitar falar de suas angústias acaba por aliviar a possibilidade de reprovação de suas escolhas.” A Psiquiatra recomenda ao jovem que passa por qualquer problema psicológico, procurar apoio de especialistas e diz que o apoio dos amigos e da família é sempre importante em momentos sensíveis.

Há também formas indiretas de pressão envolvendo o universo acadêmico, como foi o caso da aluna Débora Monteiro, 20.  Antes mesmo de entrar na faculdade ela já enfrentava pressões familiares por conta de melhores resultados em sua vida. Depois foi intensificando. “Não me sentia auto suficiente, não tinha fome, nada fazia sentindo ou diferença na minha vida e meus pais eram bastantes rígidos e controladores nas minhas decisões; não me fazia bem e algumas vezes pensei em suicídio”. Segundo a estudante, a pressão é permanente enquanto se vivencia esta fase de estudos: “A família nos impõe a obrigação de ter um futuro promissor e que ele deve acontecer rapidamente, o que acarreta um outro problema, o de comparação”.

 A Pastoral da Universidade Metodista auxilia jovens que passam por problemas emocionais. Rosane Silvia de Oliveira, 61 é leiga da pastoral há 15 anos conta como tratam os alunos. “Quando nós recebemos alguém aqui, encaramos o assunto como um quadro psicológico e lidamos com os mais diversos problemas. Por duas vezes enfrentamos casos de suicídio e aconselhamos a procura de especialistas nesta situação. Pedimos também para que o aluno não esconda ou minta sobre o momento que está vivendo e procuramos uma clínica para que possa oferecer o melhor tratamento possível”.

Rosana entende que não existe muita procura de ajuda devido a tabus que os próprios pacientes criam ao falar sobre a depressão. Em alguns deles é difícil perceber.  Há casos em que ele aparenta estar bem pela fala e pela postura, então você só percebe quando o aluno começa a se abrir durante o diálogo, mas isso vai da característica de cada um. Procuramos acolhê-los e fazer um aconselhamento na procura de um terapeuta”, completa.  

 

 

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