Autismo pode ser diagnosticado precocemente

Cientistas canadenses conseguem detectar a doença antes mesmo da criança saber falar

TÁSSIA OLIVEIRA

Durante a Reunião Internacional para Pesquisa de Autismo, em Londres, médicos canadenses apresentaram um trabalho científico que desenvolveu ferramentas para avaliar o autismo em bebês a partir dos três meses de idade. Atualmente, só é possível iniciar os exames para detectar o distúrbio por volta dos dois ou três anos de idade. A partir do método descoberto pelos especialistas canadenses, o mesmo diagnóstico pode ser antecipado em pelo menos dois anos.

De acordo com a fonoaudióloga Daniela Cunha, não há cura para o autismo. “O diagnóstico precoce permite a indicação antecipada do tratamento e quanto antes tratar, melhor. Além disso, a família é muito importante para a terapia”.  

Para explicar se há ligação do autismo com algum outro distúrbio, Daniela baseia-se em estudos recentes. “Eles indicam que não há um dano físico no sistema nervoso central que justifique a origem do distúrbio. As evidências apontam para multicausalidade e interação gene-ambiente”.

Para alcançar a eficácia do estudo, a equipe chefiada por Mel Rutherford da Universidade McMaster, utilizou tecnologias de reconhecimento de movimentos oculares para distinguir distúrbios de atenção em bebês que ainda não falam. Nos primeiros resultados do trabalho foi possível descobrir em um grupo de irmãos quais aqueles que podem vir a desenvolver o autismo.

O método de diagnóstico consiste em medir a direção e manutenção do olhar das crianças. É a partir dos três meses que os bebês começam a poder acompanhar o olhar dos adultos.

Em recente estatística publicada pela revista americana Time Magazine, a incidência de autismo é de um em cada 175 nascimentos. “O autismo é duas vezes e meia mais freqüente no sexo masculino do que no feminino”, afirma Fabiana Cirino.

No âmbito da fonoaudiologia, Fabiana cita a principal conseqüência do distúrbio. “Dificuldade em desenvolver e manter uma comunicação adequada com pessoas, gerando alteração na sua qualidade de vida e na das pessoas que convivem com o autista”.

O tratamento varia de pessoa para pessoa. Geralmente os primeiros resultados aparecem entre duas e três semanas.

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