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Dados da OMS apontam que 40% das pessoas dormem mal

por rroeditor — última modificação 05/09/2008 09h27
Pesquisa realizada pela da Sociedade Brasileira do Sono com cerca de 43 mil pessoas das principais capitais do país mostram que 53,9% delas sofrem de algum tipo de insônia.

Publicado em 05/09/2008 09h27

Última atualização em 05/09/2008 09h27

ALINE LIND
do Rudge Ramos Jornal

Você está satisfeito com seu sono? Dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) apontam que 40% da população mundial não dorme como gostaria e apresenta algum dos mais de 80 distúrbios e síndromes do sono listados pela CIDS (Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono).

“A privação de sono causa principalmente uma má qualidade de vida. Uma pessoa que não dorme bem, ou que o sono não descansa, sente muito cansaço e sonolência diurna. Isso gera maior propensão a acidentes e erros, dificuldade de memória e concentração, além de problemas cardiovasculares”, disse a neurologista coordenadora do Ambulatório do Sono da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Rosa Hasan.

Dados de uma pesquisa realizada pela da Sociedade Brasileira do Sono com cerca de 43 mil pessoas das principais capitais do país mostram que 53,9% delas sofrem de algum tipo de insônia (a CIDS lista 11 tipos diferentes da doença) e cerca de 43% permanecem cansados no decorrer do dia. “A insônia nada mais é do que a dificuldade de iniciar o sono e mantê-lo de forma contínua durante a noite, muitas vezes despertando antes do horário desejado”, afirmou a neurologista.

Os problemas podem ter diversas causas e têm de ser avaliados de forma individual. “As causas envolvem desde maus hábitos e uso de medicamentos e substâncias estimulantes, como os remédios para emagrecer e a cafeína, até doenças clínicas, como asma e doenças cardíacas, além problemas psiquiátricos, como a depressão”, declarou Rosa.

Fernanda Colmatti, 50, pertence ao grupo dos 12 milhões de brasileiros (7% da população do país) que sofre com a Síndrome das Pernas Inquietas, segundo dados da ABN (Academia Brasileira de Neurologia). “Quando estou começando a dormir, ainda cochilando, sinto dormência e necessidade urgente de mexer as pernas.

Depois, as pernas chegam a se movimentar involuntariamente. O médico disse que tenho 28 micro despertares por hora, o que não me deixa chegar ao sono profundo”, disse Fernanda.

“Esse forte incômodo que a pessoa sente aparece justamente na hora de dormir, e não no decorrer do dia. Essa sensação de dor e formigamento é acompanhada de angústia e necessidade de mover as pernas, o que não deixa relaxar e iniciar o sono”, explicou Rosa.

Outro sintoma muito comum, mas pouco valorizado, é o ronco. Um exemplo disso é Sônia Maria Alvarenga, 52, hipertensa e fumante há mais de 35 anos. “Desde os meus 20 e poucos anos sofro com esse problema. Às vezes, acordo muito cansada, com a impressão de que dormi absolutamente nada”, disse Sônia, que nunca procurou ajuda médica. “Meu marido às vezes reclama, mas já se acostumou com a situação.”

Cerca de 8,5 milhões de brasileiros (5% da população) sofrem de apnéia. Não foi sempre que Rildo Viana, 39, roncou enquanto dormia. “Há dois anos, quando comecei a ganhar peso, minha esposa percebeu que eu estava roncando. Mas como roncar é considerado normal e isso não atrapalhava o sono dela, acabei não me preocupando, apesar de me sentir mais cansado que o normal durante o dia”, contou Rildo.

“O ronco é um dos sintomas da apnéia do sono, que pode ocorrer várias vezes durante a noite. É quando o paciente pára de respirar, geralmente por alguma obstrução nas vias respiratórias. A doença afeta principalmente homens na faixa dos 40 a 50 anos com sobre-peso”, afirmou a neurologista da FMABC. O ronco, além de causar incômodo, pode acarretar inúmeros problemas de saúde. “Quando ronca, o paciente sobrecarrega o coração. Com o passar dos anos ele pode se tornar hipertenso. Por isso é tão importante procurar ajuda médica”, declarou a doutora.

O tratamento, segundo a médica, trabalha na causa do problema. “As causas podem ser muitas, como sobrepeso, problemas respiratórios e o fumo”. “Há algum meses fui a um endocrinologista porque estava acima do peso. O médico me perguntou se roncava e, pelo meu histórico, percebeu que o ronco estava ligado ao aumento de peso. Estou numa dieta há três meses e já voltei ao meu peso normal. Não ronco mais e meu dia está muito melhor”, disse Rildo.

Segundo os especialistas, as necessidades diárias de sono variam de acordo com a idade e os que mais sentem com a privação de sono são as crianças e os idosos. “Na infância é quando mais precisamos dormir. Depois, na adolescência a necessidade diminui um pouco, para cerca de dez horas. Adultos e idosos deveriam dormir de 6 a 8 horas por dia, o que nem sempre acontece. Mas são as crianças e os idosos os que mais se ressentem com a falta de sono, sentindo os efeitos mais rapidamente”, afirmou Rosa.



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