Você está aqui: Página Inicial / Número de microempreendedores da alimentação cresce 10,4% na pandemia

Número de microempreendedores da alimentação cresce 10,4% na pandemia

por sophia.villanueva última modificação 17/08/2020 14h42
Faturamento de pequenos negócios sofre queda; aumento de delivery mantém atividades de microempresas

Publicado em 17/08/2020 14h42

Última atualização em 17/08/2020 14h42

Número de microempreendedores da alimentação cresce 10,4% na pandemia
Produção de geleias caseiras de empreendedora de Diadema.|Foto: Denise Alves

CAROLINA FIM

Da Redação*

De acordo com uma pesquisa da Easymei, plataforma de auxílio para o microempreendedor, entre os meses de março e junho de 2020 a categoria de microempreendedor individual (MEI) teve um aumento na produção de alimentos para consumo em casa. O setor cresceu 10,4% no período da pesquisa, resultado da crescente demanda por delivery durante a pandemia.

Apesar disso, o estudo O Impacto da Pandemia de Coronavírus nos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae, aponta aponta que a queda do faturamento de pequenas empresas foi de 69%. A pesquisa também mostra que 41,9% dos negócios que se mantêm em atividade durante a pandemia estão operando apenas com entregas. O motivo é a queda na procura por determinados tipos de produtos.

Esse é o caso da microempreendedora Denise Alves, de Diadema, que abriu a Geleias TremBão em setembro de 2019. “O negócio começou a crescer, mas bombou em março de 2020, bem no início do isolamento social”, conta. Com a queda nos pedidos, Denise parou de fabricar as geleias. “Terminei o que eu tinha no estoque e encerrei a produção. Geleia é um produto mais caro e não é um item de primeira necessidade”, lamenta. A doceira postou no Instagram da empresa que, a partir de agosto, a produção vai recomeçar e os pedidos já podem ser feitos.

Há também pessoas que começaram a empreender por acaso durante a pandemia, como a dona de casa Catia Rocha, 42, de São Bernardo. “Não planejei iniciar um negócio, mas havia demanda para meus bolos”, explica. Catia tinha o hábito de postar no Facebook os bolos que fazia e, com o passar do tempo, a procura aumentou e a produção se tornou uma oportunidade.

Entretanto, manter um pequeno negócio neste momento é algo desafiador, segundo a microempreendedora de Santo André, Caroline Iglesias, 39. Antes do coronavírus chegar ao Brasil, Caroline trabalhava vendendo doces mineiros nas ruas, mas devido a necessidade do isolamento, ficou três meses sem trabalhar. “O tempo foi passando e percebi que não podia ficar parada. Minha vizinha trabalhava com bufê em domicílio, então em junho entrei como sócia no negócio dela”, explica. 

Planejamento financeiro para empreender

De acordo com a economista e consultora financeira Juliana Aragão, o planejamento financeiro é fundamental nos negócios. “Planejar evita gastos desnecessários, prevê todos os custos envolvidos até que o negócio comece a gerar renda para o empreendedor. Sem o planejamento, muitos custos ficam esquecidos”, explica Juliana.

A economista explica que cada negócio tem um tempo para gerar renda. "Muitas vezes a necessidade de um capital de giro fica esquecida e o empreendedor acaba perdendo o investimento inicial", alerta. Para a especialista, o empreendedor não pode ter a ilusão de que o dinheiro vai retornar rapidamente, então o prazo de retorno do investimento também precisa ser calculado.

Segundo a consultora, é preciso considerar os gastos iniciais para começar o empreendimento, além dos custos mensais de produção, tanto fixos, quanto variáveis. “É necessário avaliar se a família consegue suprir as necessidades básicas neste período. Não é recomendável se endividar para começar a empreender, principalmente nesse momento de recessão”, conclui.

 

Ações do documento