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Moradores do Rudge Ramos criam "Vigilância Solidária" para coibir violência

por beatriz.siqueira2 última modificação 18/10/2019 21h57
Preocupados com a privacidade do bairro, vizinhos se unem pela segurança na Vila Caminho do Mar

Publicado em 18/10/2019 15h25

Última atualização em 18/10/2019 21h57

Moradores do Rudge Ramos criam "Vigilância Solidária" para coibir violência
Placa do "Vigilância Solidária", que é colocada na frente de casas e prédios - Foto: Divulgação

BEATRIZ SIQUEIRA
Da Redação*

O número de furtos e roubos no bairro Rudge Ramos passou de 700 de janeiro a agosto deste ano, segundo dados do governo do Estado de São Paulo. Por conta disso, os moradores da Vila Caminho do Mar, se mobilizaram para implantar o programa Vigilância Solidária, que tem como objetivo observar e melhorar a segurança no bairro. 

Placas colocadas nos portões das casa e prédios, indicam que a vizinhança está observando a movimentação na rua. Sempre que moradores percebem alguma coisa diferente, chamam a polícia pelo número 190.

A iniciativa foi implantada no bairro desde abril deste ano. Segundo Carlos Cruz, que é um dos representantes do projeto na região, desde julho a agosto os números de roubos passaram de 14 para 3. Para Carlos, a implantação do projeto foi necessária para dar conforto para os moradores, que estavam cansados de tanta insegurança. “Estava vergonhoso a quantidade de roubos, tinha dias que tivemos três aqui na vila, ficou perigoso demais”, afirma Carlos. O representante informou que desde do início do programa na região, bases móveis da polícia foram colocadas no bairro. Uma delas se encontra na praça Bruxelas, além de mais carros da polícia circulando pelas ruas.

Para muitos moradores, o Vigilância Solidária já melhorou muito a situação do bairro, mas ainda falta bastante para se sentirem tranquilos. Como é o caso de Natalia Saciloto, que em julho deste ano, um dia depois de uma reunião que teve no prédio do Vigilancia, sofreu uma tentativa de assalto. Ela tem uma cachorra e sai para passear todos os dias, e em um desses passeios tomou um susto quando foi abordada por um assaltante em uma moto. 

“Ele pediu a aliança, e na hora minha cachorra foi para cima do motociclista, e ele assustou, nessa hora eu sai correndo, e como ele assustou ele saiu correndo na moto pelo outro lado.” afirma Natalia, que completa que no mesmo momento saiu gritando pela rua pedindo pros vizinhos chamarem a polícia. “Eu acredito nesse programa, só que ele deveria ser mais efetivo, por exemplo, eu não participo do grupo, coisa que eu acho que deveria, todos do prédio acho que deveriam participar do grupo, não só a síndica ou alguns moradores”, ela afirma que a segurança está melhor, mas ainda não se sente totalmente segura andando pelo bairro.

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Mesmo a iniciativa sendo positiva para a população é necessário ter cuidado. O capitão da polícia militar e especialista em segurança pública Ronaldo Aracri afirma que quando o grupo trabalha em conjunto com a polícia não há riscos. “Óbvio que os moradores não devem interceder em eventos que necessitem de uma ação policial”, afirma Aracri, e lembra que o programa não é uma substituição ao policiamento. 

O especialista lembra que o Vigilância é de adesão voluntária pelos moradores de cada rua, bairro ou região e conta com a orientação, apoio e acompanhamento da Polícia Militar, por meio da unidade responsável pelo policiamento local. 

Em junho de 2018, o programa Vizinhança Solidária foi oficialmente instituído por meio da Lei N° 16.771. A implantação é feita pela Polícia Militar e um representante dos moradores que manifesta interesse, podendo contar com a participação do Conselho Comunitário de Segurança, CONSEG, da região.

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

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