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Corrida traz benefícios à saúde

Publicado em: 03/09/2010 08:46

O esporte ajuda no combate às doenças do coração, aumenta a capacidade cardiovascular e respiratória, controla a pressão sanguínea, melhora a qualidade do sono e a digestão dos alimentos

Corrida traz benefícios  à saúde

Os benefícios trazidos pela corrida só são alcançados se o esporte for praticado três vezes por semana, durante 30 minutos e em três meses - Foto: Divulgação

ELSON NATÁRIO
do Rudge Ramos Jornal


Quem vê o executivo José Carlos dos Santos, 53, correndo todas as manhãs na praça São João Batista, no Rudge Ramos, não imagina que, oito anos atrás, ele era o típico sedentário. Alimentava-se mal, não se exercitava e era envolvido pelo estresse do ambiente de trabalho. Alertado por um médico, Santos deparou-se com uma encruzilhada: ou mudava radicalmente os seus hábitos ou teria que se preocupar com o agravamento e o surgimento de problemas de saúde.

Ele escolheu a primeira opção. Passou a praticar caminhada. Em seguida, começou a dar os primeiros piques de corrida. Desde então, não parou mais. Já foram mais de 100 provas, entre elas, São Silvestre, Meia Maratona de São Paulo e a Meia Maratona de São Bernardo.

A qualidade de vida melhorou de imediato. O estresse e o índice de colesterol diminuíram. O sono melhorou. Ficou bem disposto para trabalhar. “A corrida é como uma religião. No dia que eu não corro parece que faltou um alimento. É excelente para o físico e para a mente”, contou o executivo.

A corrida é um dos esportes mais populares e democráticos. Basta um par de tênis e boa vontade. O esporte ajuda no combate às doenças do coração, aumenta a capacidade cardiovascular e respiratória, controla a pressão sanguínea, melhora a qualidade do sono e a digestão dos alimentos.

Para obter os benefícios proporcionados pela corrida é preciso treinar, no mínimo, três vezes por semana durante 30 minutos em um espaço de três meses. Depois desse tempo a pessoa deixa de ser sedentária e passa a ser ativa. Já para conseguir condicionamento físico é preciso no mínimo seis meses, com um treino mais intenso, cinco vezes por semana durante 40 minutos.

A médica assistente do Incor (Instituto do Coração) Patrícia de Oliveira disse que, a princípio, todas as pessoas são consideradas saudáveis para correr. Desde que elas não apresentem nenhuma doença de antecedente familiar e que não sintam nenhuma dor ao praticarem uma atividade física.

Porém as pessoas não podem simplesmente sair se aventurando pelos parques e ruas da cidade sem passar por uma avaliação médica. A consulta é importante para analisar as condições físicas do paciente e saber se ele possui algum problema de saúde que pode ser agravado pela atividade física. 

O paciente é dividido em dois grupos. O primeiro é composto por jovens de até 35 anos. As pessoas que estão  nessa faixa etária não necessariamente precisam de um exame para começar a correr. Às vezes, só com uma consulta clínica especializada ela está apta a praticar o esporte. Já o segundo grupo é composto por adultos maiores de 35 anos. Um dos exames pedidos é o eletrocardiograma de repouso, além de teste ergométrico. 

“Quando avaliamos pacientes jovens, procuramos identificar alguma doença pré-existente que possa vir à tona durante a atividade física. Já quando avaliamos idosos, procuramos identificar algum problema cardíaco que pode ser desencadeado durante a prática esportiva. A partir dessa análise, podemos preparar a atividade física”, explicou Patrícia, que é da Unidade de Reabilitação e Fisiologia do Exercício do Incor.
 
Bate Coração - Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), as doenças do coração são a primeira causa de mortes no Brasil, com 35% do total. Esse número ainda deve crescer 28% até 2020. Há uma corrente na cardiologia brasileira que considera a prática de atividade física uma das principais formas no auxílio do tratamento e recuperação de cardiopatas. 

Alguns médicos acreditam que a redução dos fatores de risco por meio da combinação de corrida ou caminhada acelerada e a adoção de hábitos alimentares saudáveis não apenas salvam vidas, mas, também as prolonga. 

Segundo a médica Patrícia de Oliveira, existem programas de atividades físicas voltadas especialmente para pacientes em tratamento de doenças cardíacas, chamados de realização cardíaca. “Esses programas já estão bem estabelecidos e mostram um melhora no quadro dos pacientes. A atividade física é coadjuvante no tratamento. Elas auxiliam no tratamento convencional.”
 
Os programas de reabilitação admitem um paciente cardiopata. Com alguns exames, os médicos conseguem prescrever um treinamento para esse paciente. Na atividade física prescrita, tem-se maior benefício cardiovascular e menor risco de ter alguma complicação durante a prática do exercício.

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