Falta de mão de obra afeta setor pet
Alguns cursos de estética animal ensinam o aluno a fazer todo o tratamento, além de manusear o equipamento - Foto: Beatriz Farrugia/RRJ
BEATRIZ FARRUGIA
do Rudge Ramos Jornal*
Apesar do crescimento do mercado de pet shop, os donos desses estabelecimentos reclamam da dificuldade de encontrar profissionais qualificados e capazes de atender às expectativas de uma clientela que, na maioria das vezes, não se importa em gastar para usufruir de um bom serviço.
“Isso é um grande problema. Há uma total falta de mão de obra. É difícil encontrar gente boa no mercado”, contou Ghislaine Ferreira, gerente do pet shop Filhotes & Fricotes, localizado no Shopping Iguatemi.
Diante disto, algumas lojas começaram a oferecer cursos de especialização em estética animal, nos quais é possível aprender, dependendo do curso, técnicas de lavagem, escovação e manuseio de ferramentas, além de processos como cauterização (tratamento que repõe a queratina do pelo), escova de chocolate (hidratação dos pelos utilizando a proteína do cacau) , tintura e manicure/pedicure.
O pet shop Puppy Brasil, em Santo André, já trabalha com esse serviço há quase dois anos. Lá, os alunos têm oito aulas práticas e mais dez dias de estágio supervisionado, o que aumenta as chances de contratação. “Acabo admitindo pessoas que se formaram aqui. Os outros pet shops também ligam pedindo indicação”, relatou a dona da loja, Marlise Casemiro Pinto Monteiro.
Segundo dados da Unipet (Universidade Pet Shop), cerca de 60% dos que procuram por cursos de especialização são pessoas que pensam em montar o próprio negócio, enquanto outras 35% estão em busca de uma oportunidade de emprego e apenas 5% são estudantes de medicina veterinária.
O preço dos cursos pode variar de R$ 350 a R$1,5 mil, sendo que os mais baratos são os de banhista e tosador e, os mais caros, ligados à estética.
Os salários dos profissionais da área também alteram conforme o cargo e a função. Um banhista, por exemplo, pode receber, por mês, entre R$ 550 a R$ 800. Já a renda de um tosador é de R$ 750 a R$ 2 mil, e a de um esteticista, pode ir de R$1 mil a R$ 2 mil, de acordo com a Unipet.
Mário Cavalcante, de São Bernardo, fez um curso de especialização e conseguiu, em menos de um mês, um emprego na área. “Vejo como um investimento. É um setor que não para de crescer. Você pode gastar um pouco para pagar o curso, mas esse dinheiro retorna depois, quando você começa a trabalhar”, afirmou.
Para o economista Ricardo Botochiatto, o fato de os pets shops se preocuparem em contratar funcionários qualificados é um bom indicador do crescimento do setor. “Quando um setor está em crescimento, como o de pet shop, é normal que falte mão de obra. Diante disso, os empresários podem seguir dois caminhos: buscar um trabalhador padrão ou um trabalhador qualificado”, disse Botochiatto.
“Quando o mercado começa a contratar mão de obra especializada, há uma boa expectativa, porque percebemos que o setor está buscando um crescimento sustentável, está investindo, disposto a pagar salários mais altos para ter um bom empregado, que seja capaz de oferecer um bom serviço e manter a clientela”, explicou o economista.
Os proprietários dos estabelecimentos concordam. “Hoje, você tem que oferecer um bom serviço. A concorrência está forte. E você conquista a confiança do cliente na relação do dia a dia, oferecendo um serviço de qualidade”, disse Marlise.
*Esta reportagem foi produzida pelos alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

