Obra na Lions prioriza veículos individuais, afirma especialista
Somente no viaduto passam aproximadamente 40 mil carros por dia em cada sentido
Rebaixamento da avenida Lions custou R$ 26 milhões; parte do valor foi obtido por meio de empréstimo do BID - Foto: Maristela Caretta/RRJ
NATÁLIA ALVES
do Rudge Ramos Jornal
A avenida Lions é responsável pela ligação de São Bernardo com Santo André. Só no trecho do viaduto, inaugurado nesta semana, passam aproximadamente 40 mil carros em cada sentido por dia. Com intenção de amenizar o trânsito no local, a prefeitura de São Bernardo realiza obra de rebaixamento na avenida.
O projeto foi pensado como possibilidade de eliminar as chamadas passagens de nível, que são os cruzamentos entre as ruas ou avenidas. Há, pelo menos, dois locais considerados complicados: os cruzamentos da Lions com a Vergueiro e com a Lauro Gomes. Em horários de pico, o congestionamento na avenida chega à saída da via Anchieta, no km 15,5 (do Extra), parando ainda o tráfego de quem vem da Paulicéia ou Diadema (pela avenida Cupecê).
Depois de concluída a obra, as pessoas que desejarem sair de São Bernardo e irem para Santo André não cruzarão com as avenidas Vivaldi, Vergueiro e Brasil, além de usar o viaduto para transpor a avenida Lauro Gomes, onde segundo a prefeitura, se concentra o maior trânsito.
De acordo com o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, a reforma beneficiará não somente o município, mas o região do ABC. “Nossa região é complexa por ter cidades interligadas. Por isso há necessidade de planejamento integrado entre os municípios. Essa obra melhora a ligação entre São Bernardo e Santo André”, disse Marinho
Porém, de acordo com a professora do curso de Engenharia Ambiental Urbana da UFABC (Universidade Federal do ABC) Silvana Zioni, obras até mesmo deste porte, não são suficientes para solucionar o problema do trânsito em cidades grandes. “O intuito desta reforma é minimizar as paradas. No entanto, este tipo de projeto é inimigo do transporte público e prioriza o transporte individual”, explicou a especialista.
Silvana ainda alerta sobre a possibilidade do trânsito ter maior fluidez na avenida Lions, porém congestionar em outro local. “Há o problema de quanto mais se investe em veículos individuais, mais carros haverá nas ruas. O fluxo segue como o encanamento de uma casa, se você alarga apenas um cano, a água que vai passar será em maior quantidade.”
Outro problema são os transtornos que a obra em andamento traz para o trânsito na região, como desvios, retornos e passagens estreitadas. A justificativa, por parte do secretário de Transportes e Vias Públicas, Oscar Campos, é que a melhoria será maior do que os problemas. “Transtorno sempre há, não existe obra que não atrapalhe o trânsito”, disse Campos.
O rebaixamento custou R$ 26 milhões, sendo que parte do valor foi obtido por meio de empréstimo do BID (Banco Internacional de Desenvolvimento). O pagamento será feito em 15 anos após o término da obra, com juros de 1% ao ano.
Pendências Judiciais - Ainda há processos pendentes na desapropriação de alguns imóveis no entorno da avenida Lions, que serão utilizados nas obras. O atraso nestes processos pode exceder o prazo de conclusão da reforma, previsto para dezembro de 2011.
Além disso, a obra está ao lado de uma área de oleoduto — é necessário que o projeto seja realizado em conjunto com a Petrobrás e obedeça às regras de segurança. “Tem de haver um reforço estrutural para construir próximo ao oleoduto”, disse o secretário de transportes.
De acordo com o líder operacional da reforma, Marcel Vieira, já existe contato com a Petrobrás, por meio da empresa que gerencia os projetos, e foram apresentadas alternativas técnicas para que seja possível passar pelo trecho de oleoduto. “Está em fase de aprovação pela Petrobrás, mas isso não impede a continuidade da obra”, contou Vieira.


