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Gasoduto elimina 70 hectares de Mata Atlântica

por caroline.garcia — última modificação 17/09/2010 16h14
As obras começaram em abril e vão cortar os municípios de Santo André, São Bernardo, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Publicado em 17/09/2010 07h55

Última atualização em 17/09/2010 16h14

Gasoduto elimina 70 hectares de Mata Atlântica
Empresa vai compensar o desmatamento replantando 131 hectares de vegetação - Foto: Jô Rabelo/RRJ

CAROLINE ROPERO
LETÍCIA CARDOSO
do Rudge Ramos Jornal

A construção de dois gasodutos (tubulação que transporta gás natural de um local para outro) da Petrobras na região vai eliminar 69,72 hectares de vegetação da Mata Atlântica do Parque Estadual da Serra do Mar. Um hectare equivale a um campo de futebol.

As obras começaram em abril e vão cortar os municípios de Santo André, São Bernardo, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Os dutos, que receberam o nome de Gasan 2 e Gaspal 2, possuem 38 km de extensão.
A empresa estatal afirma que vai compensar o desmatamento de quase 70 hectares com a plantação de 131 hectares que será realizada em área ainda a ser indicada, durante a fase de implantação do empreendimento, nos municípios por onde passarão os dutos.

De acordo com a Petrobras, a obra possui Licença Ambiental de Instalação e Autorização para Supressão de Vegetação de Intervenção em Áreas de Proteção Permanente emitidas pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), além do EIA (Estudo de Impacto Ambiental) e do Rima (Relatório de Impacto ao Meio Ambiente).

Segundo o professor de Gestão Ambiental e Sustentabilidade Vicente Manzioni, a compensação ambiental não recupera o desmatamento. “Nunca compensa. O principal impacto do gasoduto é na vegetação, na fauna e na flora. Eles são obrigados a plantar uma quantidade maior e isso normalmente acontece em uma área próxima à que foi desmatada, mas nunca é a mesma coisa. A devastação não se recupera e é um ponto importante que tem que ser considerado”, disse.

Quanto aos benefícios da obra, o professor acredita no desenvolvimento da região. “Embora o gás natural seja um combustível que gera emissões, é menos poluente que o óleo diesel. O lado positivo é que vai melhorar a oferta de energia para o ABC, principalmente para as indústrias.”

A empresa não quis informar o valor da obra “por força da Lei do Silêncio” – restrição feita pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) às empresas que estão em fase de processo, ação ou títulos. Com isso, a Petrobras afirma que é proibida de passar qualquer informação ou custo de obra, até o fim do processo de capitalização. Quanto ao custo do reflorestamento, a empresa explicou que o valor depende das áreas escolhidas junto aos municípios e não há uma estimativa no momento.

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