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Cinema é considerado terapia

por erik.paulussi — última modificação 01/10/2010 11h06
Psicólogos garantem que assistir filmes pode trazer benefícios a pacientes com algum tipo de transtorno psicológico

Publicado em 01/10/2010 08h15

Última atualização em 01/10/2010 11h06

Cinema é considerado terapia
Segundo a técnica da Cinematerapia, se a pessoa assistir a um filme que se encaixe em sua problemática, é muito provável que se identifique e encontre um jeito de aprender e crescer com ele - Foto: LAÍS PERIN/RRJ

LAÍS PERIN
MARIA IZABEL DA SILVA
do Rudge Ramos Jornal

Assistir a um filme pode significar muito mais que diversão e entretenimento. É o que garantem psicólogos adeptos da técnica conhecida como Filmtherapy, ou Cinematerapia em português.

Quando assistimos a um filme, vivemos uma espécie de hipnose. Sem que nossa consciência seja alterada, questões escondidas no subconsciente afloram e, dessa forma, novas soluções e repostas para determinados problemas aparecem. A finalidade disso é trazer benefícios aos pacientes que sofrem algum tipo de transtorno psicológico. O método está sendo cada vez mais divulgado e vem conquistando seguidores no Brasil.

Um dos precursores no uso de filmes como terapia é o psicólogo norte-americano Gary Solomon, autor do livro “The Motion Picture Prescription” (“O Cinema como Remédio”, ainda sem edição em português). O autor americano fala na obra que filmes são o verdadeiro exemplo de como a arte pode imitar a vida. Dessa forma, se uma pessoa assistir a um filme que se encaixa em sua problemática pessoal, é muito provável que se identifique e encontre um jeito de aprender e crescer com ele, obtendo resultados positivos com essa interação.

Esse fenômeno de identificação com o personagem faz com que o paciente consiga passar por um processo chamado de catarse cinematográfica, que é uma espécie de purificação por meio de uma descarga emocional provocada mediante ao choro ou ao riso. “A catarse se dá num processo no qual o espectador sofre uma descarga de desordens emocionais, obtidas por meio da personagem com a qual ele se identificou no filme, e pode se libertar, ou mesmo ter uma melhor compreensão de seus conflitos pessoais, revivendo suas experiências”, explicou a psicóloga Walnei Arenque.

Por isso, filmes com roteiros semelhantes às histórias dos pacientes são os mais indicados pelos seguidores da Cinematerapia. “Não é incomum nem recente o fato de pacientes levarem impressões sobre filmes para a sessão”, afirmou a psicóloga especialista em Psicanálise, Sócio-análise, Clínica Infantil e Psicoterapia de grupos, Denise Deschamps. Ela também é uma das autoras do livro “Cinematerapia: entendendo conflitos”, publicado em 2009 pela editora Multifoco.

Denise é adepta do método e coordena um site sobre Cinematerapia (www.cinematerapia.psc.br) em conjunto com o psicólogo Eduardo Honorato, que também utiliza o cinema para auxiliar no tratamento de seus pacientes. Ela explica que, a partir das questões apresentadas nas sessões de terapia, indica o filme que julga conveniente ao caso e depois discute os temas com o paciente. Mas, a psicóloga também ressalta que a prática não substitui a necessidade de uma psicoterapia e que as indicações de filmes funcionam como um recurso extra no tratamento.

A psicóloga Denise se diz cinéfila e julga que isso é importante para o sucesso dos tratamentos que envolvem a Cinematerapia. “Eu sou completamente ‘viciada’ em filmes. Costumo assistir a filmes todos os dias, pelo menos um por dia. É um hábito que trago comigo há muitos anos. Já senti inúmeras vezes o quanto um filme pode modificar muitas coisas em nós, até o estado emocional de um dia”, disse Denise.

A Cinematerapia pode ser aplicada a diversos transtornos psicológicos. De acordo com a psicóloga Walnei Arenque, a versatilidade do método, ao mesmo tempo em que é positiva, pode se tornar a vilã do tratamento. Com um amplo leque de filmes e gêneros cinematográficos, o psicólogo deve ter cautela na indicação para que escolha a “obra certa para o assunto pertinente”, como disse a psicóloga.

Além de trabalhar no reconhecimento e compreensão de conflitos, a Cinematerapia também é indicada para quem precisa equilibrar as emoções. Mas, sentar à frente da tela e assistir a qualquer filme não é o suficiente para que os resultados propostos pela técnica sejam atingidos. Para obter o sucesso desejado no tratamento, o terapeuta precisa compreender exatamente o que se passa com o paciente, para não recomendar uma história errada. Depois ele explica o porquê de determinadas escolhas e pede que o paciente faça uma análise pessoal do filme, sob o seu ponto de vista. Nesse processo de identificação do paciente com o personagem ou com o roteiro é que consiste a parte mais importante do tratamento.

“A Cinematerapia é eficaz na medida em que o paciente se identifica com a personagem e com a história.  Assim, ele pode entender as mais diferentes formas de visão de uma mesma questão, perceber outras verdades e, inclusive, perceber o quanto a verdade é dinâmica”, disse Walnei.

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