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Enxaqueca é coisa séria

por natalia.alves — última modificação 01/10/2010 09h02
Náuseas, vômitos aversão à luz, sons e cheiros são sintomas bem comuns

Publicado em 01/10/2010 08h05

Última atualização em 01/10/2010 09h02

Enxaqueca é coisa séria
Segundo neurologista Deusvenir Carvalho, sem o tratamento adequado, enxaqueca pode virar doença crônica - Foto: Priscilla Nery

PRISCILLA NERY ROCHA
do Rudge Ramos Jornal
 

Dados da SBCe (Sociedade Brasileira de Cefaleia) apontam que 93% dos homens e 99% das mulheres se queixam de cefaleia, a famosa dor de cabeça, ao longo da vida. Além disso, 76% delas e 57% deles sofrem com a dor pelo menos uma vez por mês.

Os episódios são mais frequentes e intensos em alguns casos, como nas pessoas que têm enxaqueca. Dos 150 tipos de cefaleia existentes, seis são classificados como enxaqueca e atingem 12% da população em geral.

“Essa doença é caracterizada por crises que podem durar de quatro a 72 horas. A dor é pulsante e tende a se manifestar ora de um lado do cérebro, ora de outro”, afirmou o neurologista Deusvenir de Souza Carvalho, chefe do Setor de Investigação e Tratamento das Cefaleias, da Escola Paulista de Medicina-Unifesp. A dor pode ser moderada ou forte, e costuma causar transtornos ao paciente

Geralmente, mais sintomas se manifestam antes ou durante as crises: náuseas e vômitos – que são bem comuns –, aversão à luz, sons e cheiros. Portanto, é normal que o paciente queira se isolar num ambiente escuro e livre de ruídos.

A enxaqueca também altera o estado emocional dos afetados por ela. Segundo o médico, durante as crises, quem tem enxaqueca fica muito irritado, ansioso e de mau humor. Uma mãe que é normalmente carinhosa com os filhos, por exemplo, pode ter aversão a eles nesses períodos.

A razão para isso é que o córtex cerebral, responsável pelo controle das informações sensoriais, é mais sensível em quem sofre de enxaqueca. Alguns pacientes apresentam ainda sintomas neurológicos antes das crises, como oscilações ou manchas no campo visual, tontura e zumbido. Esses fenômenos são chamados de “aura” e afetam cerca de 20% dos indivíduos que têm a doença.

Essa modalidade de cefaleia não tem cura, pois é causada por fatores genéticos combinados ao ambiente. A obesidade, fumo, má alimentação, estresse e alterações hormonais – possível razão pela qual elas são mais afetadas que eles, na proporção de três mulheres para um homem - podem contribuir para o aparecimento da doença.

No entanto, não se pode afirmar com certeza que algum alimento seja capaz de agravar os sintomas em todas as pessoas. cada paciente reage de maneira diferente às substâncias.

Atualmente, existe tratamento, que consiste no controle e prevenção das crises com medicamentos e alguns cuidados gerais: dormir bem, ter uma dieta balanceada, não ingerir muita cafeína, não fumar e evitar atividades estressantes.

Para o sucesso do tratamento, é necessário que o médico esteja atualizado a respeito da enxaqueca e que o paciente seja um bom informante, já que o detalhamento da frequência e duração das crises, características da dor na cabeça e da própria rotina, são fundamentais para um diagnóstico correto.

AJUDA MÉDICA

Apesar de ser uma doença que não compromete seriamente o tempo de vida nem o estado de saúde do indivíduo, a enxaqueca merece atenção. Quem sofre com ela e não procura ajuda médica logo corre o risco de ter complicações maiores. “Depois de cinco, 10, 15 anos sem o tratamento adequado, a doença evolui para a enxaqueca crônica (quando a pessoa tem crises, pelo menos, 15 dias por mês)”, disse Carvalho.

As dores de cabeça devem sim ser medicadas, mas não é bom exagerar. Se a dor não passar após 10 dias de tratamento com um analgésico, deve-se procurar um médico. O mesmo vale quando a dor é tão forte que interfere na rotina.

“Caso alguém use um remédio durante três meses, de 10 a 15 dias por mês, pode adquirir uma nova dor em consequência do abuso do medicamento. Então, precisará curar essa dor (o que leva de quatro a seis semanas) para depois tratar a enxaqueca”, alertou o neurologista.

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