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Saúde do diabético depende de controle

por marco.mesquita — última modificação 15/10/2010 13h14
Cuidado com a alimentação é essencial

Publicado em 15/10/2010 11h45

Última atualização em 15/10/2010 13h14

Saúde do diabético depende de controle
Aparelho que mede a taxa de glicemia do sangue ajuda portador de diabetes a controlar a doença em casa; alimentação equilibrada é fundamental - Foto: Shayane Servilha/ RRJ

EMANUELA FREITAS
PATRÍCIA MACEDO
SHAYANE SERVILHA

do Rudge Ramos Jornal

 

Em meados da década de 80, Maria Pizzonne, 54, não resistiu à insuficiência renal devido às complicações crônicas do diabetes e morreu. A doença foi descoberta com uma unha do pé mal cortada, as constantes dores e, posteriormente, a infecção interna fez com que Maria tivesse a metade da perna amputada. Depois de 18 anos, seu filho, o empresário Wagner Mendes, 60, seria mais um da família diagnosticado, em pré-exames para uma simples cirurgia de catarata, com diabetes tipo 2. “A descoberta foi um choque. A médica disse que era um milagre eu estar vivo naquele momento. Os exames indicaram que minha taxa de glicemia ultrapassava 279 mg/dl, o normal seria 120 mg/dl”, lembrou.

Após o susto, a rotina de Mendes mudou. Depois da descoberta, o empresário começou a levar uma vida mais saudável. Se antes fazia um check-up geral apenas quando não se sentia bem, hoje faz a cada seis meses. Tem acompanhamento médico com uma endocrinologista especializada no diabetes, mede a glicemia todos os dias e faz exercícios físicos regularmente. 

Há um perigo ainda maior quando a diabetes não é detectada rapidamente. Dados da Anad (Associação Nacional de Diabetes) mostram que, dos cerca de 11 milhões de diabéticos no país, 30% não sabem que possuem a doença. A ausência ou demora de um tratamento específico pode ser o ponto de partida para situações mais graves como derrames, infartos, amputação de pernas ou pés, cegueira e insuficiência renal.

Apesar desses riscos, não é para todos que a notícia é sinônimo de mudança de vida. Simone Isabel dos Santos, 38, descobriu que era diabética há cinco anos. Desde então não foi mais ao médico, mas continua tomando o remédio recomendado. “Eu me sinto tão bem que nem parece que estou doente. Só quando engordo paro de comer doce”, falou Simone.

Cuidados
O diabético pode ter uma rotina comum, mas é necessário seguir as orientações médicas. “O que nós assistimos, geralmente, é que o paciente acha que, por estar controlado, está bem e começa a abandonar ou retirar parte da medicação. Nunca se deve fazer isso sem orientação médica”, afirmou a endocrinologista Silvia Bidian.

Além do controle de remédios, é necessário que o portador de diabetes atente para a alimentação. Porém, nada é proibido, de acordo com a nutricionista Patrícia Tomita Fan, mestranda em endocrinologia clínica pela Universidade Federal de São Paulo. O recomendado é dar preferência aos tipos de alimentos. “Por exemplo, o arroz branco, que não tem nada de fibra, pode ser substituído pelo integral. A fibra, além de ajudar a controlar os picos de hiperglicemia pós-refeição, auxilia o controle de colesterol e triglicérides altos, doenças que os diabéticos têm predisposição”.

Apesar de o carboidrato ser a principal preocupação, as gorduras também merecem controle dos diabéticos, pois o aumento de peso pode piorar a doença. “O ideal é tentar substituir a gordura ruim, contida geralmente em alimentos industrializados, pelas boas”. Segundo Patrícia, as gorduras boas são as poliinsaturadas, presentes em peixes de água fria como o salmão, e monoinsaturas, encontradas no azeite, em algumas sementes, como a linhaça, e no abacate.

Frutas também são recomendadas, mas devem ser consumidas moderadamente. “Elas têm frutose, que é o açúcar da fruta. Há pessoas que deixam de comer melancia, por exemplo, para não disparar a glicemia, mas não é necessário. É só consumir em pequenas porções”, declarou a nutricionista.

A atenção também deve existir na hora de comprar os alimentos diets. A maioria deles contém pouco ou quase nenhum açúcar, mas há a possibilidade de eles apresentarem elevado teor de gordura. “O melhor jeito é comparar um produto convencional com o diet. Se a versão tiver mais gordura que a comum, então o produto já não é tão mais vantajoso para o diabético”, explicou Patrícia. 

Cabe lembrar que os alimentos diets se diferem dos lights. Enquanto o produto diet costuma ser isento de determinado nutriente, como o açúcar ou o glúten, o light apenas possui uma redução de alguns ingredientes e é indicado para pessoas que querem reduzir as calorias.

Exercícios físicos
Outro fator importante para os diabéticos é a pratica da atividade física. Os exercícios feitos com acompanhamento de um profissional podem ajudar no tratamento da doença. Eles captam o açúcar do sangue e contribuem para a redução da glicemia.

Mas atenção para os cuidados que os diabéticos precisam ter antes de praticar atividades. Segundo a especialista em exercícios físicos para diabéticos, Daisy Motta, o paciente precisa informar o médico endocrinologista que está praticando exercícios e procurar um especialista para que ele defina as atividades de acordo com suas características. “A prescrição deve ser realizada por um profissional de Educação Física e depende de fatores como o nível de condicionamento inicial, idade, sexo, estado de saúde e medicamentos de uso. Os mais indicados são os aeróbios como a caminhada e a bicicleta, entretanto estudos comprovam que os exercícios de força como a musculação em circuito, por exemplo, são eficientes para o controle glicêmico”.

As atividades podem até ser praticadas sem precisar estar acompanhado de outra pessoa, mas é preciso ter alguns cuidados. “Se o diabético verificar a glicemia antes e depois, pode caminhar, pois é uma atividade natural e provavelmente não sentirá tantas dificuldades no início. É importante ter uma alimentação adequada ao tipo de exercício. Se for de longa duração, é provável que seja necessário comer durante a atividade”.

Perfil de risco

Nos últimos anos, a OMS (Organização Mundial da Saúde) tem feito pesquisas e alertas sobre o aumento da doença. Atualmente, cerca de 285 milhões de pessoas possuem diabetes no mundo e a previsão é de que esse número dobre até 2030.

Segundo o endocrinologista Márcio Krakauer, presidente da ADIABC (Associação de Diabetes do ABC), algumas características contribuem para a manifestação da doença. “Há mais riscos em pessoas obesas, que têm familiares com diabetes, engordam rapidamente, principalmente no abdômen, mulheres que tiveram filhos acima de quatro quilos e que tiveram diabetes na gravidez”.

Além dos perfis de risco, fatores como sedentarismo, stress e maus hábitos alimentares colaboram para o desenvolvimento da diabetes tipo 2. “São todos esses fatores da vida moderna, comer demais, fazer exercício de menos e stress”, afirmou Krakauer.

ADIABC
O aumento da incidência da diabetes motivou o aparecimento de diversas associações, uma delas foi a ADIABC. Após uma viagem que fez a Copenhagen, na Dinamarca, para conhecer o centro de diabetes Steno, Márcio Krakauer decidiu criar uma associação na região que atualmente possui cerca de 312 mil diabéticos, o correspondente a 12% da população.

Com o apoio de mais dois endocrinologistas, João Sérgio de Almeida e Arual Augusto Costa, que já realizavam ações educativas na região, Krakauer criou a entidade no dia 18 de setembro de 1998. “A educação do diabetes aqui no Brasil estava muito ruim naquela época. No ABC, não tinha ainda nenhuma entidade organizada”, declarou.

Krakauer defende a prevenção como a principal maneira de combater a doença. Semanalmente, a entidade realiza palestras e atividades práticas gratuitas sobre o assunto. Algumas das temáticas tratadas são nutrição, culinária, direitos dos diabéticos e insulina.

Além disso, são realizadas reuniões mensais para pais que possuem filhos diabéticos. No dia 14 de novembro, dia mundial da diabetes, será realizado o Alerta D. “A campanha irá promover exames para detectar a doença e descobrir complicações de quem já é diabético”, afirmou Krakauer.

Tipos de Diabetes
DIABETE TIPO 1 -
É provocada por uma predisposição genética e costuma aparecer logo na puberdade. Ocorre por causa da destruição de células produtoras de insulina, hormônio que auxilia o metabolismo e o controle da glicose no organismo. Por isso é necessário que o diabético tipo 1 receba injeções diárias de insulina. Para detectar, os sintomas costumam ser vontade de urinar diversas vezes, fome frequente, sede constante, perda de peso e fraqueza.

DIABETE TIPO 2 – Fatores como obesidade e sedentarismo podem contribuir para o desencadeamento da doença. Ela é provocada pela resistência de células à ação da insulina. Os sintomas geralmente estão associados ao surgimento de infecções, visão embaçada, demora nas cicatrizações e formigamento nos pés.

Serviço

ADIABC - Rua Almeida Garret, 51 - Vl. Guiomar - Santo André.
Tel.: 4992.5303. E-mail - atendimento@adiabc.org.br

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