Setor de livros cresce 9,6% em 2010

De 2006 a 2009, número de livraria aumentou 11% no país
Setor de livros cresce 9,6% em 2010

Em 2009, os livros didáticos foram os mais vendidos, com um aumento de 14% em relação a 2008 - Alexandre Calisto/RRJ

ALEXANDRE CALISTO

Enquanto o mundo digital conquista espaço, o mercado de livros cresce cada vez mais no Brasil. Segundo os dados da Associação Nacional de Livrarias, o setor cresceu 9,6% em 2010 e, de 2006 a 2009, o país teve um aumento de 11% no número de livrarias.

Outros dados confirmam o crescimento do segmento no país. Segundo a pesquisa da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) em parceria com a CBL (Câmara Brasileira do Livro) e o SNEL (Sindicato Nacional de Editores de Livros), foram vendidos em 2009 mais de 370 milhões de exemplares, 37 milhões a mais que em 2008.

Sejam livros didáticos, de auto-ajuda, best-sellers, infantis ou estrangeiros, há quem não troque as diversas sensações que os livros proporcionam como folhear, colecionar e ainda sentir o cheiro das páginas, por nenhuma outra que o livro digital oferece.

 É o caso da jornalista Tatiana Duarte, 29, que tem mais de 250 títulos em casa. “Eu nunca li um e-book e não digo que nunca leria, mas eu prefiro o livro convencional, gosto de tê-lo, de sentir o cheiro do papel.”  

Para a estudante de comunicação Raquel Hatamoto, 25, da PUC-Campinas, os e-books têm espaço garantido no mercado e mundo literário, mas os livros estão consolidados.  “Existe um prazer muito específico em ter um livro.

Abrir a contracapa e escrever seu nome e colocar a data, escrever notas no rodapé da páginas e destacar os trechos de maior relevância. Depois de 50 anos você vai pegar o livro e tudo estará lá, da mesma forma, do mesmo jeito.”

Segundo o professor de Literatura Fernando Thomaz, do Singular-Anglo, ler ou não o livro digital é uma questão de preferência e costume, “se você ler ‘Dom Casmurro’ em um livro impresso ou em um e-book, o conteúdo será o mesmo”.

 Como método de ensino, o professor comenta que o melhor é conciliar a tecnologia e as obras, pois ambos são didáticos e ainda ressalva que “não importa o formato, mas sim o hábito de leitura”. Mas conta que não incentiva apenas a leitura por meio de e-books.

A expansão do mercado da tecnologia é preocupante para os sebos, livrarias que oferecem publicações de segunda mão, a preços mais acessíveis. Para o dono da rede Pacobello, de Santo André, Eduardo Brasil, se o mundo dos livros digitais avançar, os sebos deixarão de existir, mas isso ainda levará tempo.  “Chego a vender por dia, nas lojas e por meio da internet, aproximadamente 70 livros” disse.

Pelo Brasil - As livrarias estão mais concentradas nas grandes cidades, são mal distribúidas pelo país. É o que mostra o estudo da ANL. Do total, 56% se concentram na região Sudeste e apenas 3% estão localizadas na região Norte.

O Sul concentra 19%, seguido pelo Nordeste, com 12%, Centro-Oeste, com 6%, e Distrito Federal, com 4%. Os indicadores mostram que o Sudeste não possui o maior número populacional, mas também reflete o maior nível de escolaridade. 

Vendas online - O número de vendas pela internet não tem grande representatividade no faturamento total das grandes livrarias, pois varia entre 0 e 5%. No caso dos sebos esse número pode ser maior, como no de Pacobello. “Das vendas, a internet representa aproximadamente 20%”, afirmou Eduardo Brasil.

Mesmo com a praticidade e facilidade de comprar via internet, o consumidor ainda mantém o hábito de frequentar as livrarias. A auxiliar administrativa Karina Schiassinatti, 23, prefere o contato com os livros e sempre que possível vai às lojas físicas. “Eu sinto prazer em ir a livrarias, ficar olhando os livros nas prateleiras. Lá, posso passar o dia inteiro e sem me cansar.”

Além dos livros - Enquanto as vendas on-line engatinham, grandes livrarias investem na diversidade de produtos, como brinquedos, material de informática e eletrônicos. Segundo o diagnóstico do setor de 2009, divulgado pela ANL, 53% das livrarias cadastradas na pesquisa investem na venda de CDs e DVDs. No segundo lugar da lista estão livros importados, que representam 43%. O terceiro colocado fica por conta dos materiais de papelaria, que representam 34% das vendas.

As redes também têm modernizado suas lojas. Ainda segundo o estudo, 28% das livrarias oferecem ambiente com grandes marcas de cafeterias, mas só 16% reservam espaço para eventos culturais, como feira livros e exposições, e apenas 5% possuem cybercafé, com acesso à internet, além da sensação de conforto e comodidade.

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

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