ABC tem várias opções para quem deseja fazer um tour gastronômico
GUILHERME HENRIQUE LORENZETTI
Do Rudge Ramos Jornal*
Domingo, 20h. Uma casa qualquer de São Caetano, São Bernardo ou Santo André. A trilha sonora do “Fantástico” anuncia que o fim de semana já está quase no fim. A boca começa a salivar. O estômago passa a “roncar”. É fome. A primeira reação é ir até a última gaveta do armário da cozinha e retirar dali centenas de panfletos de pizzarias, esfiharias e lanchonetes.
As opções são as mais variadas. Mas, de repente, bate a vontade de comer uma paella, um risoto ou um belo bacalhau. Você lembra que São Paulo é o templo da gastronomia. Tem cerca de 13 mil restaurantes, 55 tipos de cozinhas típicas, 500 churrascarias e 250 restaurantes japoneses.
Mas qualquer cidade do ABC fica longe dessa miscelânea gastronômica. De São Bernardo, por exemplo, é preciso percorrer 25 km para chegar ao centro paulistano. Além da viagem, corre-se o risco de enfrentar filas.
Essa situação serviu apenas para ilustrar o que deve ocorrer em muitas moradias do ABC. Mas a região também é dotada de boas opções para quem deseja experimentar pratos variados, típicos de diversos países e de outras regiões brasileiras.
Veja a seguir algumas opções que a reportagem selecionou para você. São pratos das culinárias alemã, árabe, brasileira, chinesa, italiana e japonesa, Ao todo são 10 estabelecimentos de oito especialidades diferentes.
Há um destaque para um prato típico da região: o frango com polenta. “O auge ocorreu nos anos 80, mas está acontecendo um resgate desses locais. Como o São Judas Tadeu, um dos preferidos do ex-presidente Lula. Mas há outros muito bons também. Alguns chegam comportar até 2.000 pessoas”, explicou Wilson Bianchi, presidente do Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC.
Bianchi está se referindo à famosa rota do frango com polenta, que fica na av. Maria Servidei Demarchi. Cada estabelecimento virá com o endereço, telefone, preço do prato em destaque no texto, cartões de crédito aceitos pelo estabelecimento ( Cc: A= American Express, D= Diners, M= MasterCard e V= Visa, os mais comuns no mercado), e dicas de que prato escolher em cada lugar.
Culinária alemã - Quando se fala de comida típica da Alemanha, automaticamente vem à cabeça duas palavras: chucrute e salsichão. Não que o repolho fermentado (sauerkraut) e os embutidos (na Alemanha são cerca de 1.500 tipos diferentes) não representam corretamente a culinária alemã. Mas há pratos como o kassler (costela de porco cozida) e o eisbein (joelho de porco) que são facilmente encontrados fora dos limites de Berlim.
Em Santo André, o piso térreo do Grand Plaza Shopping abriga o Jucalemão (4979-5414, Cc: A, D, M e V, 11h/22h [sex, sáb e dom, até 23h]). São 70 opções de pratos típicos. Se você não curte carne de porco, peça o bife de lagarto cru e moído ( R$ 49,80) que é preparado na frente dos clientes. Mas se deseja manter a tradição germânica peça mesmo o kassler (R$ 51 p/ 2 pessoas) que vem acompanhado de (adivinha?) chucrute e batata cozida. Para completar a refeição aos moldes alemães não se esqueça da cerveja, que pode ser o chope Brahma ou a genuína alemã Weihenstephener. (R$ 18/550 ml).
Em São Caetano, há o Franz (R. Piauí, 926, Santo Antônio, 4224-4353, Cc: A, D e M, ter/sáb 11h/15h e 19h/ 22h [dom 11h/16h]) uma boa opção para quem quer experimentar um pouco de tudo de uma vez só. Aqui peça o schlachplatte à Franz, que traz à mesa bisteca e joelho de porco, chucrutes e salsichas brancas e vermelhas ( R$ 100 p/ 3 pessoas). Para sobremesa uma apfelstrudel, uma torta de maçã e canela.
Culinária árabe - Esqueça por um momento as esfihas, kibes e redes de fast food. A culinária árabe é um “pouco” mais variada que isso. Coalhada seca, abobrinha recheada e tabule (espécie de salada feita com trigo, salsa, cebolinha, pepino e tomate embrulhados em uma folha de alface. O correto é comer este prato com as mãos) também são bons representantes.
Em Santo André, no restaurante Chami ( R. das Figueiras, 393, Jardim, 4432-1875, Cc: M e V, ter/dom 18h/23h [sex e sáb até 0h, fecha seg.]), é possível experimentar a abobrinha recheada com carne moída e arroz (R$ 17 p/ 2 pessoas), além da coalhada seca servida com pão árabe (R$ 6,50) preparado no lugar.
Já o Kalifa´s, em São Bernardo ( R. Helena Jacquey, 149, Rudge Ramos, 4367-1121, Não aceita cartão de crédito, 11h/23h [dom a partir das 18h]) a especialidade são os charutinhos de repolho ou folha de uva, servidos em porções de sete unidades (R$ 17)
Culinária brasileira - Feijoada e caipirinha são símbolos da culinária brasileira. Mas um país com quase 200 milhões de habitantes e dimensões continentais como o Brasil não pode se limitar apenas a isso. “É uma cozinha riquíssima e impossível de descrever em poucas palavras”, explica o coordenador do curso de Gastronomia da Universidade Metodista, Marcelo Bergamo.
Em Santo André, há o Pilão Mineiro ( Av. Dom Pedro II, 1172, Jardim, 4436- 2779, Cc: A,D, M e V, 11h30/15h30 e 18h30/23h30) que serve quase tudo. No lugar é montado um bufê (preço fixo: R$ 27 de seg/sex e R$ 34 aos sábados e domingos) com 44 receitas preparadas em panelas de barro, entre elas a vaca atolada, tutu de feijão, rabada com mandioca e lingüiça frita com cebola. Para “abrir o apetite” são 200 rótulos diferentes de cachaça, alguns de fabricação própria.
Culinária japonesa e chinesa - “Pode-se dizer que a culinária chinesa é a mãe da japonesa. Mas o Japão, por ser uma ilha, foca mais em frutos do mar. Já a China, por ser maior, tem mais espaço para a agricultura e pecuária e, por isso, consegue diversificar mais seus pratos”, explica o jornalista Ricardo Castanho, editor de Gastronomia do Guia Quatro Rodas.
Em Santo André, no Mangá (Al. São Caetano, 374, Jardim, 4992-1927, Cc: A,D, M e V, 12h/14h30 e 19h/ 23h) o festival de especialidades japonesas (R$ 39 no almoço e R$ 43 no jantar) é responsável por 90% dos pedidos. O rodízio inclui temaki, niguri, sushi, sashimi e yakissobas de carne ou frango. Esqueça o chope para acompanhar, aqui o que rega a refeição é o saquê ( bebida destilada à base de arroz) Hakushika Karakuchi (R$ 18 a dose).
Ainda em Santo André você encontra boas opções de pratos orientais no Asia Legend ( R. Senador Fláquer, 376, Centro, 4432-0394, Cc: A, M e V, 9h/17h [Sab até às 16h. Fecha dom.) que monta um bufê com pratos de países orientais como Japão, China, Tailândia e Vietnã (preço fixo de R$ 23 ou R$ 19 por quilo). O bolinho chinês chamado dim sum, que leva carangejo, legumes, camarão ou carne suína no recheio, faz bastante sucesso.
Culinária ABC - A tradição da av. Maria Servidei Demarchi começou em 1949, com a inauguração do restaurante São Judas Tadeu. (av. Maria Servidei Demarchi, 1749, São Bernardo, 4346-4444, Cc: A,D, M e V). O espaço com 6.000 metros quadrados atrai clientes de vários lugares. “Nós atendemos cerca de 35 mil clientes por mês, a maioria é do ABC mesmo, mas nos fins de semana vem gente até do interior pra comer aqui”, disse José Carlos, gerente do restaurante no qual trabalha há 37 anos. Os clientes vem saborear as cinco variações de frango: à passarinho, ao molho de tomate, ao alho e óleo, à milanesa e desossado R$ 32 cada receita). Todas servidas com porção de polenta frita. Ainda na Demarchi (como é conhecida a avenida) é possível encontrar o prato no Florestal e no São Francisco.
Em São Bernardo, outro restaurante virou símbolo gastronômico por servir um corte transversal do lombo do boi com parte do osso junto, também conhecida como costeleta ou chuleta. É o Gijo´s (R. Cristiano Angeli, 930, Assunção, 4351-4846, 11h/15h30 [Sab e dom até às 16h], Cc: A,D, M V). O salão rústico com mesas e cadeiras de madeira lota nos almoços de domingo. O dono é o ex-metalúrgico Juno Rodrigues Silva, ou Gijo. A famosa chuleta é acompanhada de arroz, feijão, fritas e salada (R$ 54 p/ 2 pessoas).
Culinária italiana - Comida italiana é igual a massas. A equação está certa, mas as massas não se resumem a pizzas e espaguetes.
Em São Bernardo, na Cantina Fratelli D´Itália (R. Dr. Fláquer, 515, Centro, 4330-2997, Cc: D, M e V, 11h30/15h e 19h/23h [ter, qui e dom só almoço, fecha seg] as entradas são quase uma refeição. O pão italiano pode vir acompanhado de sardela, alichela, berinjela e manteiga (R$ 6). Na parte de massas prove capelete de frango (43 p/ 2 pessoas) ou o tortelli de espinafre e ricota (R$ 44 p/2 pessoas) preparados pela chefe italiana Wilma Zanon.
Para beber, nada mais italiano do que um bom vinho. São mais de 70 rótulos. “Todos os garçons são treinados para sugerir ao cliente o vinho que harmoniza melhor com o prato que escolheu”, afirmou o sócio do restaurante Fernando Kosbiau.
Antes de saciar a sua fome é aconselhável ligar para os restaurantes para checar as informações citadas na reportagem. Dados como preço dos pratos, horário de funcionamento e cartões de créditos aceitos podem variar após o fechamento desta edição.
*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

