Campanha contra dengue é intensificada em São Bernardo
CAROLINE GARCIA
Do Rudge Ramos Jornal*
O final de ano é marcado por campanhas de intensificação no combate contra a dengue em São Bernardo. A cidade registra, desde o começo do ano, 177 casos da doença, sendo 91 autóctones (contraídos dentro do município) e 86 importados. No ano passado, nesta mesma época, foram 89 casos autóctones no acumulado dos meses.
“É uma tentativa de eliminar possíveis criadouros antes da estação chuvosa. Todos os postos de saúde estão se empenhado em ações de conscientização em cada área de abrangência”, disse a Chefe de Divisão de Veterinária e Controle de Zoonoses, Fabiana Toneto Paniagua.
No dia 19 de novembro, quando foi celebrado o Dia Nacional de Combate à Dengue, uma caminhada no centro reuniu cerca de mil pessoas. No Rudge Ramos, outra caminhada, no dia 17, um pouco mais discreta, contou com 20 agentes comunitários de saúde, com direito à participação do mosquito da dengue.
O agente comunitário de saúde que trabalha na UBS (Unidade Básica de Sáude) do Rudge Ramos, Silas Campos dos Santos, foi quem se vestiu de Aedes aegypti. “Temos que incentivar a parte educativa e precisamos chamar a atenção das pessoas. O mosquito foi uma alternativa, mas ainda faltam ferramentas. Se conseguíssemos um megafone ou um carro de som, por exemplo, teríamos mais repercussão.”
De acordo com a agente de dengue, Conceição Aparecida Oliveira, também do bairro, apesar de a campanha contra a doença ser realizada há bastante tempo no país, parte dos moradores ainda deixa acumular água parada e dificulta o trabalho dos agentes da prefeitura.
“É um trabalho de formiguinha. Já melhorou, mas sempre temos problemas. O pessoal ainda deixa pneus jogados no quintal, caixa d’água aberta, vasos de plantas com água. Explicamos todo o procedimento, mas não podemos fazer nada além de orientar”, disse Conceição.
Outro problema apontado pela coordenadora da UBS, Vera Franciscon, são imóveis fechados (desativados ou que estão vazios durante as vistorias), que chegam a até 30%. “Falta um pouco de colaboração dos vizinhos também. Talvez ficar com a chave ou intermediar o acesso pela própria casa. Não é porque o problema é na casa ao lado que o mosquito não vai voar até a minha.”
De acordo com um levantamento da Vigilância Epidemiológica, entre os meses de janeiro e outubro, os bairros Cooperativa, com 23 casos, Dos Casas, com 20, e Alves Dias, com 9, foram os locais com maior número de transmissões autóctones. Já Baeta Neves (100), Centro (100) e Rudge Ramos (67) foram os bairros onde foram encontrados mais focos do mosquito Aedes aegypti.
Sintomas - Segundo o Ministério da Saúde, os sintomas da dengue aparecem três dias depois da picada. São febre alta com início súbito, dor de cabeça e atrás dos olhos, dores no corpo e articulações, perda do paladar e apetite, manchas e erupções na pele, náuseas e vômitos, tontura e cansaço.
Não há remédios específicos para tratar a dengue, somente alívio dos sintomas.
*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

