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Tirar habilitação náutica não exige exame prático, só teórico

Homens de 30 a 40 anos, de classe média, são os que mais procuram serviço

Publicado em 27/02/2012 10:35
Última atualização às 11:38

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Tirar habilitação náutica não exige exame prático, só teórico

Para pilotar embarcações como jet skis, lanchas ou barcos de pesca, é ncessário possuir a Arrais-Amador - Foto: Divulgação

BARBARA ENDO
THAÍS MACENA
Do Rudge Ramos Jornal*

Fazer 18 anos e tirar a carteira de habilitação é o sonho de muitos jovens. Sem o documento, é proibido dirigir pelas ruas brasileiras. No mar, numa represa ou nos rios do país é a mesma coisa. Para quem planeja comprar um jet ski, uma lancha, ou até mesmo um pequeno barco com motor de popa, é preciso também ter a famosa carta, que, no caso de embarcações náuticas, chama-se Arrais.

O perfil de quem procura se habilitar para navegar é composto especialmente de homens, na faixa etária de 30 a 40 anos, e que pertencem à classe média, segundo a Capitania dos Portos de São Paulo, órgão que fiscaliza os transportes aquaviários no Estado.


De acordo com o órgão marítimo, a carta de habilitação é dividida por faixas. Arrais-Amador é a carteira exigida para quem pretende pilotar barcos pequenos e lanchas. Dentro dessa faixa existem as categorias “Veleiro” para aqueles que estão aptos para conduzir embarcações a vela sem propulsão a motor e “Motonauta”, que se designa aos condutores de jet ski

Outros tipos de licenças são a Mestre-Amador e a Capitão-Amador. A primeira habilita pilotos para conduzir embarcações entre portos nacionais e estrangeiros nos limites da navegação costeira. E, a segunda, permite a pilotagem de embarcações entre portos nacionais e estrangeiros, sem limite de afastamento da costa.

Arrais-Amador

Um dos principais atrativos de se pilotar uma embarcação de pequeno porte (como barcos de pesca, lanchas e jet skis) é a facilidade de se conseguir a licença. Ao contrário do que acontece com o exame de direção, que deixa muitos candidatos a motoristas aflitos, para obter a Arrais-Amador não são exigidas aulas práticas, nem sequer é preciso fazer um teste prático.

Para conduzir embarcações para a finalidade de recreação ou esporte, é preciso apenas fazer um teste teórico com 40 perguntas e basta acertar vinte para passar, o que facilita o processo. Além disso, idade mínima para prestar o exame para as categorias de esporte e recreio é de 8 anos para veleiros, sob a responsabilidade do pai, do tutor ou de um responsável legal. E, para solicitar a habilitação de motonauta ou a Arrais-Amador, a idade mínima é de 18 anos.

Mas, o processo para conseguir essa habilitação segue determinados critérios. Assim como na habilitação para carros, é preciso comprovar a saúde física e mental por meio de atestados médicos e psicológicos.

Outra regra é que, antes de tudo, qualquer embarcação nova deve ser inscrita na Marinha. É necessário levar os documentos pessoais, a nota fiscal de compra e pagar uma taxa de R$ 30 para regularizar o veículo. Existe também uma taxa anual a ser paga pelo proprietário, de cerca R$ 17, para o seguro obrigatório.

Só então é que os interessados a tirar uma licença para conduzir lanchas ou jet skis devem se dirigir a uma delegacia fluvial para marcar o teste teórico de habilitação. Além dos documentos pessoais e da embarcação, o candidato deve apresentar um atestado físico e mental e pagar R$ 40 para uma licença na categoria de Arrais-Amador.

Depois desses procedimentos, é marcado um teste que, geralmente, é feito em computadores na própria delegacia. Se passar, o candidato já fica apto para usar o seu equipamento e recebe um protocolo. O documento permanente fica pronto em 30 dias e deve ser renovado a cada dez anos. Se ficar reprovada, a pessoa pode refazer o exame em cinco dias.

Cursos

A Marinha e a Capitania dos Portos não oferecem cursos práticos sobre pilotagem de embarcações, mas disponibilizam uma apostila com cerca de 500 páginas para aqueles que desejam saber um pouco mais sobre a parte teórica do assunto.

Em geral, os cursos preparatórios para o exame de habilitação são ministrados em clubes, náuticas ou despachantes, com aulas práticas e teóricas. Eles custam, em média, R$ 250.

O despachante “Navegue Tranquilo”, de Santos, proporciona aulas práticas que podem ser feitas individualmente, de acordo com a necessidade de cada cliente ou até mesmo como curso básico, com duração de 30 horas. Mensalmente, 20 alunos passam pelo curso. A maioria mora ou tem casa na praia e usa as embarcações para lazer.

O administrador de empresas Marcelo Brandão, 28,  por exemplo, fez o curso básico para jet ski e afirma que só aprendeu a pilotar depois de ter a habilitação em mãos. “Fiz o exame na Capitania dos Portos e sai com a habilitação, mas não tem nem ideia de como ligar um jet, muito menos de como andar ou dirigi-lo”, contou Brandão.

Além dos cursos preparatórios, é possível aprender a pilotar com um instrutor particular. As aulas variam de preço de acordo com o lugar, mas a média é de R$ 50 para cada aula de 40 minutos.

Um deles é João Oliveira Santos, 46, que ministra aulas práticas há 10 anos e diz que ensina não somente o básico, mas também alguns truques especiais. “Assim como quem dirige carros, a pilotagem de embarcações sempre tem aqueles segredinhos para conduzir o veículo de um jeito mais confortável como, por exemplo, como agir quando o Jet enche de água ou então como passar por ondas que arrebentam perto da sua embarcação”.

Economize com carretas para lanchas e jet skis

Assim como os carros, as embarcações de pequeno porte também precisam de uma vaga na “garagem”. As opções mais comuns são as marinas ou iate clubes que apresentam um preço elevado para esse serviço, cerca de R$ 500 por mês.

Existe também a opção de guardar lanchas, jet skis e pequenos barcos na garagem de casa. Basta possuir uma carreta e é possível economizar o aluguel na marina. Uma carreta com dois eixos e freio próprio, para uma lancha pequena, custa cerca de R$ 4 mil — o mesmo que você pagaria por oito meses de hospedagem numa marina, em média.

Além disso, o dono da embarcação pode transportá-la para onde desejar, uma vez que não é necessária habilitação especial para pilotar um veículo com reboque. A Lei Nacional de Trânsito apenas determina que a largura da carreta (e o que estiver sobre ela) não pode ultrapassar 2,60 metros, medida equivalente à boca de barcos de 25 pés, por exemplo. Cascos maiores só podem ser transportados com autorização especial do departamento de trânsito.

Mas essa opção também tem lados ruins. Segundo a Revista Náutica, ao rebocar uma embarcação sobre uma carreta, o tempo de viagem aumenta já que o ideal é trafegar 20% abaixo do limite de velocidade, assim como o consumo de combustível que gasta cerca de 50% a mais. E, existe ainda um outro gasto, o pedágio, que, dependendo do tipo de carreta, paga por um ou dois eixos a mais.

Outra questão a se pensar é que a carreta é um veículo e, por isso, possui documentação e até número de chassi próprio. Ela é isenta de IPVA, mas deve ser licenciada uma vez por ano, como qualquer carro.

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

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