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Cresce número de praticantes de MMA no Brasil

por mariangela.lisboa — última modificação 01/06/2012 09h33
Procura por artes marciais cresceu cerca de 20% no último ano

Publicado em 01/06/2012 08h55

Última atualização em 01/06/2012 09h33

Cresce número de praticantes de MMA no Brasil

ANDRÉ DONKE
Do Rudge Ramos Jornal*

Anderson Silva, Vitor Belfort, José Aldo e Júnior Cigano são alguns nomes que se tornaram conhecidos no Brasil, principalmente na TV, por causa de uma sigla: MMA. Essas três letras, juntas, referem-se a uma espécie de luta que mistura vários outros tipos de combate.

A tradução literal de MMA, “mixed martial arts”, é artes marciais mistas. O precursor desse tipo de combate é a família Gracie, em 1993, mas a modalidade se popularizou fora do país, especificamente nos Estados Unidos. Recentemente, essa febre mundial também contagiou o Brasil.
Uma pesquisa da consultoria Deloitte chamada “Muito Além do Futebol – Estudo sobre esportes no Brasil”, divulgada em setembro de 2011, aponta que as artes marciais crescerão 16% no país nos próximos anos. O único esporte a superá-las é o rúgbi, mas com um ponto percentual a mais. Nem mesmo futebol, vôlei, basquete e o ascendente futebol americano possuem a mesma expectativa de crescimento como o MMA.

A TV ajudou a popularizar o esporte. Em agosto de 2011, ocorreu a primeira transmissão no Brasil pela TV aberta do UFC, principal organização de MMA no mundo. Transmitido pela Rede TV, o UFC 134 aconteceu no Rio de Janeiro. O destaque foi o brasileiro Anderson Silva, que defendeu o cinturão da categoria meio-médio diante do japonês Yushin Okami. De madrugada, a audiência da emissora chegou à casa dos nove pontos no Ibope. Cada ponto corresponde a 60 mil domicílios.

Três meses mais tarde, foi a vez da TV Globo, principal emissora do país, transmitir ao vivo um evento do UFC. A luta entre Júnior Cigano e Cain Velasquez, que foi válida pela disputa do cinturão dos pesos pesados, aconteceu na madrugada de um domingo e rendeu 16 pontos de audiência, segundo o Ibope.

No mesmo final de semana, a partida de futebol entre Grêmio e Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro, registrou um ponto percentual a menos. A emissora voltou a transmitir uma nova edição do evento, em janeiro de 2012.

Esse interesse pela modalidade também se refletiu nas academias. Professor e lutador de MMA da academia Família Furacão, em São Caetano, Juba Rodrigues, 34, contou que a procura aumentou nesse período em que o UFC se popularizou no país. De acordo com ele, o número de alunos - que hoje é de 900 - na academia  cresceu em 50%.

Quem também percebeu um crescimento no interesse pelo esporte foi o professor de muay thai e hapkido, Lael Tessolato Junior, 30. Apesar de a academia na qual trabalha, a Tiger Thai Brasil, em São Bernardo, não possuir mais o treinamento de MMA, ele acredita que as lutas têm se popularizado. Atualmente, a academia possui aulas de muay thai e hapkido, mas está acrescentando outros três tipos de luta: taekwondo, jiu-jítsu e judô.

“Como as pessoas estão buscando a arte marcial para se exercitar, sair do sedentarismo e como isso passa na televisão, por exemplo o UFC, Jungle Fight (competição nacional de MMA), a procura aumentou muito. Foi 20%, 30% de acréscimo de um ano para cá. Isso em três meses. É o número de procura, de alunos iniciando a arte marcial”, declarou Tessolato.

O professor ainda afirmou que não atribui ao principal torneio de MMA como o único motivo para esse cenário. “Acho que nem pela parte do UFC. Na verdade, a procura está sendo pela novela, pela própria fala nas revistas, nos jornais.”

Já na academia União ABC, do professor Danilo da Silva, em São Bernardo, a procura pelo MMA foi ainda maior. “Aumentou em 70%. O pessoal viu o UFC Rio, percebeu que os brasileiros têm potencial e começou a desenvolver o treino”, declarou o ex-lutador de 29 anos.

Vivendo o seu ápice de popularidade no Brasil, o esporte não deve ser apenas uma moda que logo se acaba. Pelo menos é a opinião de Silva. “Daqui para a frente, a tendência é aumentar cada vez mais o poder do MMA. Daqui um tempo vai ter só ele para treinar, não vai precisar de outras modalidades”, contou.

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*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

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