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Cresce o número de mulheres no grafite

por italo.campos — última modificação 06/06/2014 10h04
Público feminino mostra interesse e abre espaço que antes era só dos homens

Publicado em 06/06/2014 09h35

Última atualização em 06/06/2014 10h04

Cresce o número de mulheres no grafite
Desenho colorido já virou marca registrada da grafiteira Talita Velasques - FOTO: Arquivo Pessoal

 

ISADORA DE CAMPOS
Especial para o Rudge Ramos Jornal*

O grafite como é conhecido hoje popularizou-se a partir do movimento contracultural de maio de 1968, quando os muros de Paris, na França, foram utilizados para inscrições poéticas e políticas, segundo o professor de grafite stencil, arte urbana e criação da Faculdade Belas Artes, Ricardo Tatoo.

Tatoo acredita que a sensibilidade feminina abriu espaço para a inserção da mulher neste meio. “A maioria é formada por homens, mas como grafite é arte, as mulheres ganharam espaço com estilos e linguagens que só a sensibilidade da mulher consegue traduzir.”  O professor acredita “que as mulheres ganharam mais espaço depois que o grafite deixou de ser tão marginalizado e de trazer menos riscos para os artistas.”

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A designer Talita Velasque, 28, moradora de Santo André, faz grafite há cinco anos. A grafiteira contou como começou na arte. “Eu admirava desde pequena os muros grafitados e tinha muita vontade de aprender, mas não tinha ninguém que pudesse me colocar nesse meio. Até que comecei a namorar um designer, artista e grafiteiro que me ensinou o básico e com o tempo desenvolvi meu próprio estilo. O namoro chegou ao fim, mas o grafite não parou mais.”


Talita acredita que o número de mulheres que vão às ruas em busca de muros vazios para grafitar aumentou. “Isso tem acontecido no mundo todo. Podemos acompanhar pelas matérias que têm saído com frequência na mídia sobre mulheres no Afeganistão que usam grafite para apagar as marcas da guerra, por exemplo”. Para ela, é necessário ter autorização do dono do muro para fazer a sua arte. “Sempre peço autorização por respeito ao proprietário e pela minha própria segurança. Eventualmente aparece algum vizinho perguntando se o dono sabe que você está pintando ali.”

Já a estudante Gabriela Paiva, 19, moradora de São Bernardo, disse que faz grafite em locais públicos, geralmente sem autorização. “Comecei há pouco mais de um ano pela influência de amigos, eventos de grafite e rap que me incentivaram muito”, disse Gabriela. A estudante afirma que “essa ideia de que o grafite é para homens não existe mais, sempre acabo conhecendo mulheres que estão há um tempo ou começando no movimento.”

Tatoo acredita que há espaço para todos. “A arte está na rua para todos apreciarem como uma grande galeria a céu aberto. A liberdade de expressão da arte de rua atrai mulheres, homens e crianças”. O professor também contou que o público de seus cursos e oficinas é bastante variado. “Geralmente são 20 alunos nos cursos da Belas Artes, 11 ou 12 mulheres e o restante de homens. Todos das mais variadas faixas etárias e níveis culturais e profissionais.”


*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

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