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Gosto pelo trabalho faz supervisora percorrer 60 km

por bruno.goncalves — última modificação 11/09/2014 08h28
Carolina Rodrigues mora no Butantã e trabalha no bairro Cooperativa, em São Bernardo

Publicado em 11/09/2014 08h20

Última atualização em 11/09/2014 08h28

Gosto pelo trabalho faz supervisora percorrer 60 km
Carolina percorre 60 km por dia - Foto: Marina Cid/RRJ


MARINA CID
Especial para o Rudge Ramos Jornal*


Morar no Butantã, zona oeste de São Paulo, e trabalhar no bairro da Cooperativa, em São Bernardo, pode parecer impossível para muitos, mas não para Carolina Rodrigues. A supervisora de vendas trabalha desde setembro de 2011 numa empresa que produz baús de motos. Desde então, percorre cerca de 60 km diariamente para trabalhar.

O dia de Carolina começa bem cedo. Ela acorda às 4h30 da manhã e, às 5h, já está no ponto de ônibus esperando o primeiro carro da linha para chegar ao Terminal Piraporinha, em Diadema. De lá, pega outro ônibus intermunicipal que a deixa na porta do trabalho. Apesar de serem apenas dois ônibus, Carolina chega ao trabalho às 7h, meia hora antes do seu horário.

Assim como muitos trabalhadores que saem antes de o sol nascer para trabalhar, Carolina depende da pontualidade dos ônibus, que demoram de 30 a 40 minutos para passar no ponto. “Se o ônibus das cinco não passar no horário correto, não vier por algum motivo ou até mesmo quebrar, eu só posso pegar o próximo que vem às 5h30 e isso já atrasa todo o meu caminho”, disse.

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O caminho de volta para casa segue a mesma rotina. Deixa o emprego às 17h e  pega carona com um colega até o Terminal Piraporinha. De lá, pega o trólebus até o Terminal Jabaquara; na sequência, metrô até a Estação da Luz; depois, trem até a Estação Villa-Lobos ou Jaguaré e, por fim, um ônibus até a sua casa. Ela demora cerca de três horas nesse percurso, mas ainda tem disposição para outras atividades. “Durmo no ônibus porque depois eu ainda vou para a academia”, disse. Com isso, ela acaba indo dormir à meia-noite.

Essa rotina puxada acabava refletindo em seus filhos, de 13 e 6 anos. “Antes, eu chegava às 10h no trabalho porque tinha que colocar minha filha na perua escolar. O perueiro passava muito cedo em casa e ficava rodando com ela bastante tempo. As professoras me disseram que ela se cansava muito, não tinha disposição e até dormia nas aulas”, contou.

De um ano para cá, ela conta com a ajuda da mãe, que fica com as crianças durante a semana. “Eu tive que abrir mão dos meus filhos porque eu saio muito cedo e volto muito tarde pra casa. Durante a semana, eu não os vejo.”

Mesmo no fim de semana, Carolina contou que não consegue tirar o atraso do sono e acorda às 4h30 da manhã. “Meu relógio biológico já está acostumado. Levanto sem despertador e não consigo mais dormir.” E ainda tem ânimo para espantar o cansaço. “Eu passo uma maquiagem nos olhos que fica tudo certo”, riu.

Embora ela encontre tráfego pesado no caminho de volta para casa, Carolina disse que não pretende trocar de emprego por causa do caminho e afirmou que, apesar do trajeto cansativo, ele não é um problema. “A distância não me atrapalha. Eu passo por tudo isso porque eu gosto muito de trabalhar na empresa.”

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

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