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Pais projetam sonhos nos filhos

por leonardo.pinheiro — última modificação 09/05/2014 09h51
Jovens são considerados por adultos como a "última chance" de realizar um desejo não alcançado na juventude

Publicado em 09/05/2014 08h55

Última atualização em 09/05/2014 09h51

Pais projetam sonhos nos filhos
A bailarina Giuliana Menegoli (à direita) foi influenciada pela mãe - Foto: Arquivo Pessoal

 

MICHELLE ALESSIO
*Do Rudge Ramos Jornal

Obter êxito na vida pessoal e alcançar o sucesso profissional. Esse é um, entre tantos fatores desejados pelos pais no que diz respeito aos filhos. Nem sempre é uma tarefa fácil. Especialmente quando os pais criam expectativas quanto ao futuro das crianças com base em sonhos não realizados do passado.

Segundo o professor e psicólogo do Departamento de Fundamentos da Educação na UEM (Universidade Estadual de Maringá), Raymundo de Lima, em virtude da condição financeira, ou de planos que não se concretizaram por imprevistos da vida, os filhos são considerados como “a última chance de realizar um sonho ou desejo” idealizado quando criança ou jovem. Para o especialista, essa prática deve ser avaliada com algumas restrições.

“Os pais sonham um grande futuro para os filhos, porque desejam o melhor para eles. No entanto, determinar a carreira que o filho deverá seguir, ou até mesmo incentivar a realizar um sonho que é seu, pode trazer problemas na fase adulta”, explicou Lima.

Bruno de Oliveira, estudante de engenharia em petróleo na USP, 20, conta que a mãe ex-jogadora de vôlei profissional, desde cedo o incentivou a praticar esportes sempre sonhou em ver o filho jogando nas quadras de vôlei.

“Comecei a jogar futebol e basquete, mas não tinha talento algum. Como minha mãe jogava e eu sempre assistia aos treinos, um dia resolvi fazer uma aula”, afirmou o estudante.

A falta de aptidão de Bruno, fez com que a mãe o colocasse no vôlei, uma de suas paixões. “Desde que comecei no vôlei, o incentivo foi total. Nós víamos que eu tinha talento. Ela sempre me levava às peneiras, comprava tênis especializado, ia me assistir em jogos. Era perceptível o orgulho que sentia. O amor e a dedicação me mantinham mais ligado ao esporte e a ela, minha maior incentivadora”, destacou.

As inúmeras contusões e o desgaste físico fizeram com que o estudante abandonasse as quadras e seguisse uma profissão, completamente diferente: engenheiro de petróleo.

“Hoje não tenho mais o sonho de seguir carreira, mas continuo jogando pela universidade. Vejo o quanto minha mãe fica feliz com isso”, falou.

Para o psicólogo, é necessário que haja uma conversa aberta de modo a evitar confronto dentro de casa. “Se não houve ‘negociação’ entre o desejo do pai e o desejo do filho, certamente ele será uma pessoa frustrada, ressentida, revoltada, pronta para a emergência de sintomas ou transtornos de expressão. Mas se houve uma boa negociação entre ambos, é possível que sejam pessoas realizadas e felizes com suas escolhas”, comentou.

Bailarina profissional, Giuliana Menegoli, professora de ballet clássico e jazz dance na academia Claudia’s Ballet, em Diadema, 20, foi influenciada pela mãe. “Comecei a dançar com 4 anos de idade, com a mesma professora e na mesma academia da minha mãe”, contou.

Apesar da desenvoltura já nas primeiras aulas, a bailarina explica que em várias ocasiões pensou em desistir por estar seguindo um sonho da mãe. “Sempre havia uma comparação sobre a forma como minha mãe dançava e se expressava no palco, e como eu me saía na dança. Algumas vezes aquilo me irritava muito, em outras eu tentava me superar para ser melhor do que ela e evitar aquela situação”, afirmou.

Em virtude de uma gravidez não planejada e das eventuais transformações no corpo, a mãe de Giuliana, Cilene Menegoli, desistiu do sonho de seguir carreira profissional, e optou por dedicar sua vida às duas filhas. “Ela sempre comenta que em cada apresentação que me vê dançando imagina que é ela que está lá no palco. Eu e minha irmã incentivamos para que ela volte a fazer aula com pessoas da idade dela, mas ela fala que o tempo dela já foi”, explicou.

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A moradora de Santo André Mayara Grassi, e estudante do ensino médio, 16, é a aposta dos pais, para um futuro promissor. De família humilde, Mayara revela que o sonho do pai é ver a filha formada na faculdade, já que ninguém da família conseguiu concluir os estudos, para ajudar com as despesas da casa.

“Minha mãe estudou até o ensino fundamental, meus irmãos pararam no ensino médio, tenho o sonho de me formar em enfermagem para que eu possa cuidar das pessoas da melhor forma possível”, afirmou.

Para não decepcionar a família, Mayara se dedica aos estudos três horas diárias e projeta dar uma condição de vida melhor para a família, no futuro. “Acredito que quando a gente tem um sonho, devemos batalhar por ele até o fim, meu objetivo é estudar bastante, passar em uma faculdade federal e dar estabilidade financeira para minha família, para garantir que minha família não passe por necessidade”, disse a estudante.

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

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