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Uso do cartão de crédito requer prudência do consumidor

18/01/10

O número de transações com cartões de crédito chegou a 2,538 milhões entre janeiro e outubro deste ano, um aumento de 15% em relação ao mesmo período de 2008, segundo dados da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços). Apesar de a entidade ainda não ter fechado uma projeção para o final de 2009, a expectativa é de aumento, uma vez que a crise mundial parece já ter passado pela economia brasileira sem causar grandes prejuízos.

Contudo, segundo a Serasa, as dívidas com cartões de crédito estão em segundo lugar no ranking da inadimplência dos consumidores. Por conta disso, a utilização do ‘dinheiro de plástico'' requer alguns cuidados, principalmente nessa época do ano - quando o orçamento já está apertado por conta das compras de Natal e quando é preciso se preparar para os gastos de início de ano, como material escolar, IPVA e IPTU.

"O grande problema do cartão de crédito é quando o consumidor perde a real noção do seu poder de compra, que está associado à sua renda. Muitas vezes, o limite do cartão é maior do que o próprio salário e, iludida com a possibilidade de compra no curto prazo, a pessoa pode gastar mais do que consegue pagar. Com isso, acaba se endividando", alerta o professor de economia da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo) Sandro Maskio.

Não é difícil a dívida do cartão de crédito virar uma ‘bola de neve''. Basta pagar o valor mínimo da fatura e deixar rolar o restante do débito para o próximo mês e você já estará pagando os juros mais altos do mercado. Segundo a Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), a taxa média é de 10,68% ao mês, ou 237,93% ao ano.

"As administradoras de cartões são como o lobo mau das histórias infantis. Elas torcem para que o consumidor não consiga pagar toda a dívida e acumule juros, pois é daí que vem uma parte considerável de seu lucro. Nos financiamentos, os juros são cobrados para adiantar o consumo das pessoas. E ao invés de poupar para consumir amanhã, a maioria consome hoje e paga a mais por isso", afirma Maskio.

Cuidados - Para não cair nessa armadilha, alguns cuidados são fundamentais. "O crédito no Brasil é de péssima qualidade: o prazo é curto e o juro é alto. Por isso, é importante ter prudência. É preciso avaliar se o custo do juro vale a pena e escolher os períodos certos para comprar, ou seja, quando os preços estiverem menores", lembra o professor.

Embora muitas vezes não seja possível, o ideal é não comprometer toda a sua renda com dívidas de consumo. "O consumidor deve ter muito claro quanto de sua renda ele tem disponível antes de fazer uma compra. E nunca deve comprometer toda a folga de sua renda. Caso surja um imprevisto, como a necessidade de comprar um remédio, ele pode ficar com tanta dívida que terá que escolher qual credor irá pagar", explica o economista.

Quem concentra todos os gastos mensais no cartão de crédito também deve redobrar a atenção. "Nesse caso, é preciso controlar todos os gastos porque a fatura não chega na hora. O problema dessa prática é começar a perder de vista quanto você já gastou naquele mês. O cartão de crédito traz um poder de compra virtual. Por isso, o controle precisa ser muito cuidadoso", orienta.

Ter mais de um cartão de crédito também não é aconselhável. "Acho que não vale a pena, você só estará ampliando o tamanho virtual do seu poder de compra. Existem pessoas que pagam a dívida de um cartão com outro cartão e isso é complicado. Ter mais de um cartão exige uma disciplina muito grande, não é pra qualquer um", avalia.

Quem faz o uso consciente do cartão de crédito tem muitas vantagens, como acumular pontos e trocar por prêmios em programas de fidelidade ou somar milhas para transformar em passagens aéreas. Contudo, o professor faz uma ressalva.

"O cartão só é vantajoso na medida em que você o mantenha sempre na sua capacidade: usar dentro do limite disponível e pagar o valor total da parcela para a dívida não virar uma bola de neve", alerta.

Endividamento - Para quem não praticou o autocontrole e se endividou, o primeiro passo é procurar a administradora do cartão para tentar negociar o débito. "As empresas de cartões têm noção de que os juros são extremamente caros. Quando elas verificam que um cliente não pode pagar uma dívida, acabam abrindo espaço para negociar. Para elas é melhor receber uma parte da dívida do que nada", explica Maskio.

Se a administradora dificultar, o negócio é trocar a dívida cara por outra com custo mais baixo. "Nesse caso, troque por uma dívida com crédito consignado, descontada em folha de pagamento, que possui juros menores. Não são juros baratos, mas é melhor que a taxa do cartão", ensina.


Fonte: Diário do Grande ABC