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Produção literária sobre ABCD está parada nas faculdades

19/05/2008

Para professores e autores, editora ABCD MAIOR resgata material

Centenas de obras literárias produzidas sobre o ABCD são inéditas e estão esquecidas nas prateleiras das faculdades da Região. A conclusão é do coordenador da Cátedra Celso Daniel, Luiz Roberto Alves, baseado em um estudo realizado pela instituição no último ano. “Procuramos toda produção literária sobre a Região. Foram cerca de 100 títulos e 40 escritos soltos, a maioria inéditos. É uma relação bastante assimétrica pela grandeza do ABCD tão poucas publicações que contem a população o que é a Região”, explicou.

Ele e outros professores e escritores ouvidos pela reportagem nesta segunda-feira (19/05), durante o lançamento do livro “Quando o apito da fábrica silencia” e da editora ABCD MAIOR, acreditam que o surgimento da editora irá resgatar parte deste importante material esquecido e incentivar a produção literária da Região.

A proprietária da livraria e editora Alpharrabio, Dalila Teles Veras, ressaltou que há muita demanda por parte de uma editora para livros no ABCD principalmente por causa do número de faculdades. Para ela, a chegada das universidades federais nos últimos anos na Região, como UFABC (Universidade Federal do ABC) e Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) alterarão o cenário de leitura. “Os estudantes não têm habito de ler, utilizam apenas literatura instrumental para carreira. Ainda não sentimos as diferenças, mas tenho esperança que com as federais seja ampliado esse pensamento”, relatou.

O professor de Antropofagia da Universidade Metodista, Alexandre Takara, acredita que a editora seja um salto de qualidade na consciência da região. “Em lugar nenhum do País existe essa consciência de regionalidade, ressaltada com a nova editora. Tudo o que desenvolve acaba convergindo. A população poderá conhecer melhor sua história.”

O editor das publicações da editora ABCD MAIOR, Sérgio Pinto de Almeida, também considera pioneiro a regionalização e garante que a idéia é publicar qualquer tipo de gênero literário, não só as teses produzidas nas universidades. “Estamos abertos para receber coleção de fotos, crônicas, peças, poemas, roteiros. Contanto que seja sobre o ABCD.”

A primeira obra da editora lançada nesta segunda-feira, com a presença do ministro do Desenvolvimento Econômico Miguel Jorge, chama-se “Quando o apito da fábrica silencia”, do economista do Dieese Jefferson da Conceição. Trata-se de um estudo do processo de reestruturação produtiva vivido pela região do ABCD durante os últimos 20 anos. O metalúrgico e estudante de Ciências Sociais Robson Rodrigues da Silva, 22 anos, foi o primeiro chegar à Alpharrabio, onde aconteceu o lançamento, e ganhou um exemplar. “Li no jornal Tribuna Metalúrgica que os cinco primeiros ganhariam um. Me interessei pelo tema porque o autor mostra que a culpa pelo fechamento de muitas industrias no ABCD não foi a luta operária, como muita gente gosta de dizer”, concluiu Silva.


Fonte: ABCD Maior

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