Emprego e consumo na virada

21/05/2008

Segundo as informações divulgadas ontem, do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, o número de empregos formais (com carteira assinada) criados no mês de abril foi ligeiramente inferior ao do mesmo mês do ano passado: 294,5 mil, ante 301,9 mil.

No entanto, abril ainda foi o segundo melhor mês, em termos de criação de empregos formais, da série de levantamentos iniciada em 1992. Pode-se lembrar ainda que, apesar deste recuo em abril, no acumulado do ano, isto é, de janeiro a abril, foram criadas 848,9 mil novas vagas no mercado de trabalho do País todo, ou 21% a mais do que no mesmo período de 2007.

Justifica-se, pois, que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, mantenha a previsão de geração de 1,8 milhão de empregos formais neste ano.

Pesou bastante no recuo da geração de empregos formais a entressafra das atividades sucroalcooleiras em Alagoas e Pernambuco, região que registrou queda de 14,4 mil vagas formais em comparação com o mesmo mês de 2007. Em conseqüência, o setor industrial regional abriu apenas 82,7 mil novos empregos em abril, ante 103,7 mil em abril de 2007.

No quadrimestre, o setor da economia brasileira que apresentou a maior taxa de crescimento do emprego formal foi a construção civil, segundo o Caged: 131,8 mil novos postos, mais do dobro do registrado nos mesmos meses do ano passado (65,3 mil). Os serviços contribuíram com 310 mil novas vagas; a indústria de transformação, com 228,9 mil; e, a agricultura, com 87,3 mil.

Esses resultados positivos na taxa de formalização do mercado de trabalho brasileiro ainda são resultado do forte aquecimento da demanda em praticamente todos os setores, nos últimos dois anos, fator que pode não exibir a mesma força nos meses vindouros, a julgar pela queda de 1% no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) apurado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo.

É pequena a queda, mas é a primeira desde agosto do ano passado, quando o ICC passou a apresentar crescimento constante de um mês para outro, acumulando até agora 20% de alta. Está agora em 147,6 pontos, patamar elevado, mas a subida dos juros, que já se reflete nos itens de consumo popular, e a alta dos alimentos, que sugere recrudescimento da inflação, podem minar a segurança com que os consumidores se vinham comportando até agora.


Fonte: O Estado de São Paulo