Lula diz que confia em evolução da Unasul e aponta para banco central e moeda únicos

26/05/2008

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta segunda-feira, que apesar do ceticismo por parte de alguns países sul-americanos e da possibilidade de que a União Sul-americana de Nações (Unasul) fique apenas no papel, ele confia em um quadro de "evolução extraordinária" do bloco e de iniciativas como o Banco da América do Sul.

"Vamos caminhar para, no futuro, termos um Banco Central único e moeda única. Isso é um processo, não é uma coisa rápida", afirmou o presidente em seu programa de rádio semanal "Café com o presidente".

Já em relação à proposta brasileira da criação de um Conselho Nacional de Defesa Sul-americano -derrubada durante a reunião de chefes de Estado na última semana- Lula acredita que, caso o Brasil possa "elaborar melhor a proposta e tirar algumas convergências" nos próximos 90 dias, a idéia poderá ser aprovada.

"A verdade é que, dos doze países, apenas a Colômbia colocou objeção. Depois, conversei com o presidente [colombiano Álvaro] Uribe. Vamos voltar a conversar. Estou viajando à Colômbia no dia 20 de julho. E acho que as coisas vão se acertar."

Segundo Lula, é preciso que o Brasil invista em países como Paraguai, Uruguai e Bolívia, considerados "economicamente mais frágeis", para consolidar o bloco. O objetivo final é tornar os países-membros "mais fortes e mais soberanos" para facilitar negociações com outros blocos, além de possibilitar a construção de ferrovias, rodovias, pontes e linhas de transmissão.

"Parecia uma coisa impossível porque aqui, na América do Sul, fomos doutrinados para acreditar que não daríamos certo em nada, que somos pobres, que brigamos muito e que temos que depender dos Estados Unidos e da União Européia", afirmou.

Fundamentos da Unasul
Chefes de Estado sul-americanos se reuniram na última sexta-feira (23), em Brasília, para uma reunião de cúpula extraordinária da Unasul. O marco legal já havia sido estabelecido pela diplomacia dos países envolvidos e os últimos detalhes foram definidos em maio.

Agora, a proposta será analisada nos próximos 90 dias por um grupo de trabalho. A iniciativa foi anunciada pela presidente do Chile, Michelle Bachelet, na última sexta-feira, em coletiva no Palácio do Itamaraty.


Fonte: UOL