Evasão cai 13% em faculdades da Grande SP

28/05/2008

Queda ocorreu entre 2005 e 2006, ano do último levantamento do sindicato das instituições particulares

O índice de evasão (abandono) de alunos do ensino superior privado na região metropolitana de São Paulo recuou 13% em um ano, aponta um levantamento da entidade que representa o setor.

Segundo o Semesp (sindicato das instituições superiores particulares de São Paulo), a queda é resultado da melhora na economia do país e da reestruturações das universidades, o que levou a descontos nas mensalidades e a cursos mais atrativos.

Na avaliação dos alunos, porém, houve apenas melhoria em fatores externos às escolas.

As instituições afirmam que, com a diminuição do abandono, sobram mais verbas para melhorias, como modernização de laboratórios e salas.

A pesquisa aponta que a evasão ficou em 14,4% em 2006 (últimas informações disponíveis), ante 16,6% no ano anterior e 14,5% em 2004. Os dados, obtidos pela Folha, serão apresentados hoje em seminário do sindicato, na capital paulista.

"Com o aumento da competitividade, as instituições tiveram de melhorar a gestão, reduzir gastos e aumentar os descontos nas mensalidades", diz o presidente do Semesp, Hermes Figueiredo.

De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), os reajustes médios nas mensalidades no ensino superior na capital paulista caíram de 9,2% em 2005 para 2,6% no ano seguinte.

O diretor-executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, afirma que outro fator que influenciou é que as universidades passaram a conhecer melhor os seus alunos. "Por volta de 2002, houve uma estagnação nos ingressos, e as instituições foram atrás das classes C e D. Como esses alunos têm mais dificuldades financeiras e educacionais, a evasão subiu", diz.

"Agora, elas já conseguiram conceder mais descontos, aumentar as bolsas e tornar os cursos mais atrativos. Muitas dão até reforço de redação e matemática para o aluno conseguir seguir as aulas."

Discordância
Para a presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Lúcia Stumpf, a queda na evasão ocorreu devido apenas ao aquecimento da economia e à ampliação dos programas federais de financiamento estudantil (Fies) e bolsas (Prouni).

"Quando as universidades mexem nos cursos, é para precarizar. Um exemplo é a introdução de disciplinas à distância, que são feitas sem preparação, apenas para reduzir custos", afirma ela.


Fonte: Folha de S.Paulo