Universitários articulam movimento estudantil regional
Luta ressurge na Fundação Santo André e nas federais e tem apoio das particulares
O movimento estudantil nas faculdades no ABCD começa a se reconfigurar com a chegada das universidades públicas e a primeira ocupação de uma reitoria da Região. Desde o começo do ano, duas instituições públicas e uma particular mobilizaram os estudantes com greve, ocupação de reitoria e abaixo-assinado.
Em maio, o Centro Acadêmico da UFABC (Universidade Federal do ABC) conseguiu adiar a votação do novo estatuto da instituição com a apresentação de 700 assinaturas de estudantes contra o texto que transformava a universidade em Fundação Pública de Direito Público para Fundação Pública de Direito Privado.
No dia 17 de abril, a unidade de Diadema da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) entrou em greve pedindo o afastamento do reitor Ulysses Fagundes Neto, acusado de gastar dinheiro público com bens pessoais em viagens internacionais. No dia 27 do mesmo mês, o ABCD assistiu a primeira ocupação de reitoria que conseguiu se estabilizar na Região, e que durou quatro dias.
Os estudantes do Centro Universitário Santo André ocuparam o prédio onde trabalha o reitor, reivindicando a saída de Odair Bermelho. O Gaerco (Grupo de Atuação Especial para Prevenção e Repressão ao Crime Organizado) investiga acusações de que Bermelho teria falsificado notas de reembolso e usado dinheiro da instituição em uma convenção no nordeste que nunca existiu.
A primeira ocupação também foi encabeçada pelos estudantes da Fundação em agosto do ano passado, mas durou apenas quatro horas, com a expulsão dos manifestantes pela PM.
As seguidas manifestações fizeram com que fosse criado no mês passado a articulação de um movimento estudantil regional para discutir problemas no ensino superior do ABCD, liderado pela UFABC (Universidade Federal do ABC) e Centro Universitário Santo André.
O grupo conta com mais de 50 pessoas e a adesão da UniABC, Faculdade Direito São Bernardo, Centro Universitário Fundação Santo André e Faculdade Paulista de Serviço Social de São Caetano.
“Queremos ter a mesma tradição que o ABCD tem nas lutas sindicais. Estamos conversando com as outras instituições, como a Metodista e o Imes”, contou a presidente do Centro Acadêmico da UFABC Débora Silva Ferreira dos Santos.
Públicas trazem nova discussão - Desde os anos 1940, o ABCD tem manifestações de estudantes de faculdades particulares. A maior foi há 30 anos, quando a faculdade de engenharia da FEI ficou dez dias em greve por causa da qualidade da refeição servida pela administração. O movimento que renasce agora engloba um lado que não era abordado nas décadas passadas.
“A reivindicação em instituições particulares tem caráter econômico, mesmo que não seja essa uma questão explícita. Os alunos pagam pelas prestações de serviços. Já as federais, como a UFABC e Unifesp, discutem políticas públicas, formas como o dinheiro do governo é aplicado”, explica o doutor em Filosofia pela USP Marcelo Carvalho.
O professor diz que greves ou ocupações em instituições particulares raramente duram muito tempo e que o movimento na Fundação Santo André é atípico. “A fundação ainda tem vínculo com a Prefeitura. Mesmo assim vive de mensalidades. A ocupação pode ser catastrófica, já que a imagem da instituição vai se desgastar.”
Fonte: ABCD Maior




