out 2012 02

Ensino de Administração: internacionalizar é preciso – Pensata do Professor do PPGA: Almir Martins Vieira

A volatilidade econômica e política da chamada sociedade global tem causado, cada vez mais, um panorama de instabilidade no contexto de trabalho, cenário que não pode ser ignorado por aqueles que ensinam administração. Este texto apresenta algumas reflexões a respeito do ensino de negócios internacionais, temática presente nas propostas curriculares vigentes para o ensino de Administração no Brasil. E talvez essa seja a questão crucial: a aproximação da universidade às necessidades que as organizações apresentam, por conta desse formato global que constatamos na atual ideia de negócio. Essa aproximação só poderá se configurar enquanto realidade se a universidade “sair a campo”, ou seja, estabelecer parcerias com grandes corporações (ou pelo menos aquelas que atuam no cenário internacional), de modo a permitir o contato do estudante com executivos que se disponham a compartilhar sua experiência. Essa postura institucional, inclusive, pode resultar em convênios do tipo “internship”, permitindo ao estudante a vivência de um tipo de prática organizacional (internacional) simulada. Estudo recente publicado no Journal of Teaching in International Business relata que os executivos de empresas multinacionais americanas (líderes em seus segmentos) apontam que habilidades como “tolerância cultural” (convívio com integrantes de países/culturas diferentes) e “(re)conhecimento da diversidade” (no ambiente de trabalho) são cada vez mais desejadas para contratação do profissional de negócios internacionais. E surge o contraponto: tais questões são pouco tratadas, enquanto temática oficial, nos currículos de nossos cursos de Administração. A existência de tal lacuna compromete o ensino de temas como trabalho em equipe, colaboração, comunicação, bem como o próprio comportamento humano nas organizações, inclusive frente à postura e à interpretação de normas e aspectos legais. E reforçar é preciso: os executivos/líderes das grandes empresas desejam compor suas equipes com profissionais que tenham capacidade de criar (e manter) relações duradouras no campo organizacional, bem como a capacidade de “gerenciar” situações que envolvam conflitos/divergências de origens culturais. As propostas pedagógicas para o ensino de Administração, principalmente no que tange ao conteúdo de negócios internacionais, devem apresentar elementos que viabilizem o reconhecimento do estudante em relação a essa esfera cultural multifacetada. E é provável que o êxito só seja possível com a experiência internacional in loco, ainda que temporária.

No contexto universitário, é comum compartilharmos o mesmo espaço com pessoas de diferentes origens, cujo comportamento é moldado por sua própria cultura. Os tempos atuais contribuem para a diversificação de tal panorama, de modo que constatamos que pessoas de diversas partes do mundo interagem e convivem no mesmo contexto espacial. O papel do professor, nesse cenário, tem se tornado um desafio cada vez mais complexo: seu trabalho incide em não somente considerar as diferenças individuais, mas também em saber identificar (e saber lidar com) comportamentos que diferem em função de parâmetros culturais. Enquanto professores que atuam no ensino de Administração, devemos estar cientes de que estudantes encontrarão uma realidade de mercado eminentemente complexa e dinâmica, composta por questões críticas cuja incidência é global. Podemos admitir que, em termos históricos, esse fenômeno é relativamente novo, mas devemos prepará-los para esse desafio a partir de agora. Ou seja, não somente as empresas se internacionalizam hoje em dia….

Almir Martins Vieira

Doutor em Educação (2007) pela Universidade Estadual Paulista e mestre em Administração (2001) pela Metodista, onde atualmente é professor do curso de graduação em Administração e do Programa de Mestrado em Administração.

Linha de pesquisa: Gestão de Pessoas e Organizações.

almir.vieira@metodista.br

 

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Uma resposta a Ensino de Administração: internacionalizar é preciso – Pensata do Professor do PPGA: Almir Martins Vieira

  1. SÉRGIO BARBOSA disse:

    QUE ASSIM SEJA! Ainda, tais reflexões se fazem necessárias em todas as áreas, tendo em vista os desencontros existentes entre as mesmas, também, a necessidade de estar em conexão com a proposta “glocal”, ou seja, do global para o local.

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