O Papel do Jornalismo Sindical para identificação do indivíduo através do retrato do grupo; da construção da consciência coletiva à formação de leitores

Adriana C. A. do Amaral

Resumo


Eduardo Galeano, poeta e taxativamente, declarou que a utopia serve para que possamos caminhar. Nesses tempos onde a relação dialógica parece nos fazer voltar a um passado sombrio e quando a pela perda de direitos nos faz retroceder à era da exploração do homem pelo homem, conhecer o próprio lugar é fundamental, como cantou Belchior em seus versos tristes e tão reais da canção Conheço o meu lugar, este artigo versa sobre uma prática jornalística pouco reconhecida, consequência de suas próprias mazelas, mas que se destina e tem a oportunidade de dialogar com milhões de trabalhadores: o jornalismo sindical. Refletindo sobre a “palavramundo” de Paulo Freire, a célebre frase “Trabalhadores do Mundo Uni-vos”, de Marx e Engels, pontuado no conceito da precarização do trabalho abordado por Ricardo Antunes e nas reflexões de Ladislau Douwbor sobre o mundo laboral, não pretende encontrar respostas, mas instigar pensares sobre como chegamos onde estamos e como fazer do trabalhador, que somos todos nós, protagonistas de suas vidas. Reconhecer o papel do jornalismo sindical como ferramenta fundamental para ecoar o “lugar de fala” do trabalhador através da

informação direcionada, que instigue a reflexão e a reverberação. Vivenciamos hoje a Revolução 4.0 que deveria nos proporcionar o direito ao ócio, fazendo a robotização um serviço à Pessoa Humana, mas ao contrário não apenas trabalha por nós como escreve e parece pensar como as pessoas humanas. “O principal motor das transformações é seguramente a revolução tecnológica que vivemos. Essa revolução atual não é mais de infra-estrutura, como a ferrovia ou o telégrafo, ou de máquinas, como o automóvel ou o torno, mas de sistemas de organização do conhecimento (Douwbor, 2001) e, nesse contexto, é preciso refletir e pensar ações comunicacionais que tragam de novo o humano em nós. Afinal, será que a sociedade líquida de Bauman teria mesmo anunciado a “A morte das principais utopias sociais”? Progresso e sociedade, homem e máquina são antagonistas que Adorno explicou precisarem um do outro. Nesse cenário, qual o papel da comunicação sindical para informar, conscientizar, reorganizar e levar o trabalhador brasileiro, em suas diferentes áreas de atuação, recuperar os direitos perdidos e avançar numa sociedade livre das mazelas impostas pela economia neoliberal? Sem respostas fáceis, este estudo reflete angústias e pretende, através da análise bibliográfica, a busca das lições aprendidas no passado, quem sabe nortear novos caminhos a serem seguidos. Busca compreender como a imprensa sindical pode ao mesmo tempo em que informa os trabalhadores somar na formação de leitores e como isso contribui para a minimização das perdas e precarização do trabalho no Brasil. Belchior morreu cantando ainda ser moço para tanta tristeza... Seguiremos?

 

 


Palavras-chave


Comunicação; Sindicatos; Trabalho; Comunicação Sindical

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DOI: https://doi.org/10.15603/2176-0934/aum.v23n23p109-121

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