O canto do Pássaro Encantado: a religião como saudade em Rubem Alves

Gustavo Claudiano Martins, Edson Fernando de Almeida

Resumo


O presente texto busca entender as variações da expressão “saudade” em Rubem Alves, sobretudo quando essas se correferem a religião. Ainda que não pretenda ser uma análise minuciosa de toda a obra do autor, revela-se que a palavra saudade possui valor singular ao longo de sua trajetória, desde seus primeiros escritos teológicos à fase crepuscular de sua caminhada, marcada mormente por crônicas e histórias infantis. Propõe-se demonstrar os diversos autores que alimentam as ideias de Rubem na construção de sua teoria da religião, reiteradamente descrita de forma sensível e poética mesmo nas composições que aparentemente não se referiam a indagações sobre o sagrado. O teólogo da Boa Esperança, como também foi chamado, parte da consciência de uma ausência à recriação, através da imaginação, dos objetos de nostalgia, para tornar presente o desiderato humano. A saudade, especialmente a “saudade ontológica”, é para Rubem a habitação dos sonhos do homem, é ela quem fecunda a natureza engravidando-a de um novo futuro para a humanidade.


Palavras-chave


Rubem Alves; saudade; ausência; teoria da religião; presença da ausência; teopoética

Texto completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.15603/2176-1078/er.v31n2p285-303

 

           

 

 

Licença Creative Commons

Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.