Disputas, compartilhamentos e exclusões rituais num cemitério público brasileiro

Andreia Vicente da Silva

Resumo


A literatura a respeito da presença do religioso no espaço público brasileiro tem afirmado mais contemporaneamente que os encontros entre as alternativas religiosas se marcam principalmente por compartilhamentos. Contudo, persiste a ideia de que os evangélicos se posicionam nessa arena a partir da perspectiva da oposição, o que também tem sido interpretado como um possível direcionamento ao fundamentalismo. Neste artigo, analiso o caso da revitalização do cemitério público de Praia de Mauá, Magé, que é uma pequena cidade histórica na Baixada Fluminense no Rio de Janeiro. A partir das ações do administrador evangélico do cemitério procuro pontuar como a predominância simbólica do catolicismo dialoga com o novo modelo de gestão secular e de que forma a junção destes elementos produz exclusões dos rituais distintos da matriz cristã.  


Palavras-chave


espaço público; cemitério; secularidade; compartilhamento religioso; evangélicos.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15603/2176-1078/er.v32n2p235-263

 

           

 

 

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