Os “Sem Religião” no Brasil: Juventude, Periferia, Indiferentismo Religioso e Trânsito entre Religiões Institucionalizadas

Marcelo Ayres Camurça

Resumo


Este artigo visa compreender a dimensão que tomou a categoria “sem religião” no Brasil, a principio um tipo classificatório do recenseamento governamental, que se tornou uma realidade social com implicações diretas nas interpretações sociológicas sobre o campo religioso brasileiro e seus desdobramentos na sociedade maior. A partir de uma análise dos dados estatísticos, geográficos e sociais expostos nos últimos Censos em torno desta categoria, procurar-se-á detectar as tendências de conduta (pós) religiosa, que estes novos atores propiciam: individualismo, trânsito, desinstitucionalização, múltipla pertença religiosa e indiferentismo religioso. Além disso, como este novo ethos em relação à religião, se espraia para uma população jovem, pobre e periférica, indicando um processo de avanço de modernidade e secularização neste meio, temperado, contudo, por um forte imaginário religioso que não abandona as mentalidades dos chamados “sem religião”, numa continuidade com nossa tradição religiosa centenária.


Palavras-chave


“sem religião”, juventude, camadas populares, autonomia, trânsito

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DOI: http://dx.doi.org/10.15603/2176-1078/er.v31n3p55-70


 

           

 

 

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