O Islã e as empresas: referencial divergente e racionalidades contestatárias

Brahim Labari

Resumo


O artigo dá conta da utilização ambivalente do referencial islâmico no seio de empresas deslocalizadas para o Marrocos. Por um lado, a direção da empresa procura alienar as operárias por meio da invocação do Islã como religião da ordem e exortando-as ao trabalho, apresentado como ato da fé. Por outro lado, as operárias empregam a religião muçulmana como filosofia de vida e forma de "se proteger" dos imprevistos da vida profissional (precariedade do seu estatuto e imprevisibilidade da sua condição). Tal divergência é um elemento estruturante da vida da empresa transferida. Permanece o fato de que a regulação no trabalho pode resultar no desenvolvimento de racionalidades contestatórias pelas operárias, conscientes da vulnerabilidade da sua "condição de classe".


Palavras-chave


Islã, Empresa, Trabalho, Lucro, Regulação, Contestação.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15603/2176-0985/mandragora.v17n17p99-113

 

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