Asherah: a ausência erótica de Deus

Angelica Tostes Thomaz

Resumo


O presente atigo pretende demonstrar que Israel nem sempre foi
monoteísta. Seguindo Reimer crença em um único Deus foi uma “construção cultural-
religiosa ocorrida ao longo de um período histórico relativamente longo, basicamente
entre os séculos IX e V a.C”. O panteão israelita passou por diversas fases até chegar a
síntese teológico-cultural mais propagada. E nesse desenvolvimento o monoteísmo
suplantou Deuses e Deusas, entre elas está Asherah.
O culto da Deusa-Mãe é um dos mais antigos da história da humanidade.
Deusas como Inana, Ishtar, Anate, Asherah eram muito comuns nos tempos de
construção do monoteísmo javista, sendo a própria Asherah consorte de Javé. Deusas da
fertilidade, grandes-mãe, controladoras da natureza, características que gradativamente
foram assimiladas por Javé, o tornando o único Deus, Todo-Poderoso e assexual.
A consolidação desse monoteísmo patriarcal representa também a
dessacralização da sexualidade e do erotismo. Ao suprimir as Deusas do panteão
israelita a manifestação erótica de Javé também foi suprimida. Os Deuses e Deusas que
outrora eram representados por suas características sexuais e eróticas, em Javé, sua
masculinidade, é representada apenas por associações como pai, guerreiro, rei e não por
antropomorfismo.
Nessa exposição trataremos de elucidar alguns pontos a respeito da construção
do monoteísmo javista-masculino, a supressão da imagem da Grande-Mãe, focada em
Asherah, e as consequências de um Deus dessexualizado para a tradição judaico-cristã.

 


Palavras-chave


Asherah; Monoteísmo; Erotismo; Javé.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15603/2176-0985/mandragora.v24n1p59-76

 

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