OPACIDADE E OBSCURATISMO: A TRAGÉDIA DA MORTE SEM CONTAGEM E SEM EXPLICAÇÃO

Sandra Bitencourt

Resumo


A ocultação do governo federal brasileiro na divulgação dos números da pandemia de Covid 19 no primeiro semestre de 2020, levou a um embate importante no campo do jornalismo, acionando especialmente o conceito
e a aplicação da ideia de transparência, um preceito constitucional e um princípio normativo a ser alcançado pelo ofício jornalístico. O percurso de ocultação teve início com a eliminação das entrevistas coletivas diárias, para atualização dos dados e explicação de estratégias, no Ministério da Saúde. Depois, os boletins com os números consolidados passaram a ser distribuídos em horários cada vez mais tarde, pós noticiários e o fechamento dos jornais. O portal do governo chegou a ser reformulado, mas por determinação judicial teve que retomar a metodologia de contagem e registro das mortes. O apagão de dados patrocinado pelo governo repercutiu dentro e fora do país. Há diferentes ações de jornalistas realizando a coleta independente, individual ou consorciada, dos dados, buscando diferentes tipos de visualização e plataformas que permitam o download de dados desagregados e a atualização. Contudo, seguem as dificuldades para obter respostas satisfatórias sobre um tema de interesse público. Na verdade, um tema de vida ou morte. Em razão disso, e buscando atualizar o debate em sala de aula, fomos encontrar resposta pelo olhar de uma especialista, que vem pesquisando os aspectos conceituais, jurídicos e legais da transparência, vinculando à reflexão sobre Liberdade de expressão, jornalismo e desordem informacional. Nesta entrevista, a Drª Marlise Brenol sintetiza, em 10 questões, palestra feita online para o curso de jornalismo do IPA.


Palavras-chave


Jornalismo; Covid-19; transparência.

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