Indelével como a flor: A teofania da Virgem Maria aos olhos e ouvidos de Cartola

Antonio Passos de Souza, Carlos Eduardo Brandão Calvani, Glaucio José Couri Machado

Resumo


No rastro do interesse despertado no âmbito das Ciências da Religião no Brasil pela presença de abordagens que se aproximam de temas religiosos em canções não religiosas, o presente artigo visa a focalização de uma nuance em meio a esse cancioneiro: canções criadas e divulgadas em contextos artísticos e comerciais sem vínculos com instituições religiosas, porém, com uma profundidade teológica e caracterização que as coloca como que aspirantes à condição de música religiosa de uma determinada confissão. O artigo baseia-se em estudos recentes sobre aspectos religiosos da MPB, escritos a partir de elementos da teologia da cultura de Tillich. O texto apresenta algumas canções ligadas a devoções marginais do catolicismo popular, bem como a devoções marianas, concentrando-se posteriormente em uma análise específica do samba “Dê-me Graças, Senhora”, uma composição incorporada ao repertório do sambista Cartola, lançada originalmente no álbum “Cartola 70 Anos” (1979). A análise demonstra que a aproximação entre canções não religiosas e temas religiosos pode se dar de modo explícito com a citação expressa de símbolos religiosos ou de forma mais sutil, implícita, por meio de uma inserção discursiva da canção em reflexões basilares para a teologia e a religião

Palavras-chave


Canção. Samba. Cartola. MPB. Religião

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DOI: https://doi.org/10.15603/1677-2644/correlatio.v20n1p7-23

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