Ultramontanismo, Maçonaria e Protestantismo no contexto da Questão Religiosa (1872-1875)

Ana Rosa Cloclet da Silva, Thais da Rocha Carvalho

Resumo


No Brasil, os acontecimentos associados à Questão Religiosa (1872-75) representaram etapa crucial na reconfiguração das relações entre o religioso e o secular. Desde então, a Igreja católica caminhou para a separação oficial e abrupta em relação ao Estado e para a conquista de sua identidade institucional, subordinada ao Sumo Pontífice. Na defesa deste projeto, clérigos e leigos ultramontanos fizeram da imprensa católica instrumento eficaz na nomeação de seus inimigos e preservação de sua influência junto à sociedade civil. É este o caso do jornal O Apóstolo - editado entre 1866 e 1901 e um dos mais expressivos da ortodoxia católica –, cuja análise pelo presente artigo visa reconstituir a construção discursiva de duas alteridades básicas do ultramontanismo: a maçonaria e o protestantismo. A partir da relação texto-contexto, identificou-se a base argumentativa que permitiu aos redatores do jornal anatemizar estes concorrentes no campo religioso cristão como “heréticos” e “anticlericais”.

Palavras-chave


Ultramontanismo; Maçonaria; Protestantismo; Questão Religiosa; Imprensa Católica

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DOI: https://doi.org/10.15603/2176-1078/er.v33n2p27-53

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