A defesa da família tradicional e a perpetuação dos papéis de gênero naturalizados

Tainah Biela Dias

Resumo


O presente trabalho analisa a forma como se tece um discurso de verdade sobre a família por parte dos membros que compõem a Frente Parlamentar Evangélica (FPE) no Congresso Nacional brasileiro. Consideramos que a definição de família defendida por estes parlamentares por meio do Estatuto da Família se constrói em oposição às novas famílias, mais especificamente as famílias formadas por pessoas homoafetivas e transafetivas, deslegitimando-as e negando a estas direitos e proteções que, segundo a visão destes, devem ser dadas somente às famílias heterossexuais. Percebemos, também, haver íntima relação entre a tentativa de perpetuação dos papéis tradicionais de gênero que promovem a submissão das mulheres e determinam a maternidade como natural e a estrutura homofóbica que deslegitima pessoas homossexuais e transexuais por não se conformarem aos padrões hegemônicos estabelecidos de gênero e sexualidade. Na medida em que tais ações ocorrem dentro do Estado brasileiro, por parte de nossos legisladores, se conformam, ainda, como ameaças ao aprofundamento da laicidade e da democracia.


Palavras-chave


Família, gênero, religião, política, cidadania.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15603/2176-0985/mandragora.v23n1p51-72

 

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