A ética de um tempo amontoado em uma catarse indecisa: sobre a Antígona de LacanC

Vanessa da Cunha Prado D'Afonseca

Resumo


O artigo retoma o comentário lacaniano de Antígona e a articulação, dela derivada, de uma ética do desejo puro, para trazê-la engajada a um dos níveis da verdade do Kant com Sade: a de que o aparecimento do objeto a no lugar da causa delimita uma nova Crítica da Razão pela via do impuro. A partir de uma leitura retroativa do percurso lacaniano, propõe-se a indecisão quanto a pureza - impureza do objeto da ética para a psicanálise como uma leitura possível da ética trágica lacaniana, especificamente a partir da atenção a duas das formas do objeto a: o olhar e a voz. Argumenta-se no sentido de demonstrar que da consideração de tais objetos advém um jogo temporal propício à consideração da tragédia, em Lacan, como evento estético de uma experiência transcendental – termo improponível no rigor da crítica kantiana –, o que traria conseqüências para a compreensão, tanto do final da análise, quanto do desejo do analista. No percurso, mostram-se relevantes os conceitos de paradigma, vel e fascinação.


Palavras-chave


Ciências Humanas; Psicanálise; Ética; Tragédia.

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DOI: https://doi.org/10.15600/2236-9767/impulso.v25n63p43-55

ISSN Eletrônico: 2236-9767