Oralidade, voz e memória nas reminiscências de Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, de Mia Couto. - DOI: http://dx.doi.org/10.15600/2236-9767/impulso.v25n62p89-96

Dalva de Souza Lobo

Resumo


Este ensaio pretende examinar a noção de experiência e a figura do narrador nas entrelinhas da obra Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, de Mia Couto. A partir do discurso memorial circunscrito pelo olhar de dentro (camponês) e pelo olhar de fora (marinheiro) e,  na contramão dos adventos que marcaram o apagamento do narrar, busca-se, aqui, o retorno ao primado do discurso da oralidade, tanto na perspectiva da voz social quanto na de registro conformado pela matriz impressa. Ao acolher o texto oral, deixa ambos os discursos deixam ver a voz do narrador, sábio conselheiro capaz de assegurar o diálogo entre o novo e o Tradicional mediante troca de experiências transmitidas entre as gerações.Para tanto, o ensaio fundamenta-se no conceito de experiência, de Walter Benjamin, sobretudo em O Narrador, tendo em vista os olhares acima mencionados. Os conceitos de voz, oralidade e memória  serão examinados à luz do pesquisador da voz e das poéticas do Medievo, Paul Zumthor e de Roland Barthes, este último especificamente para  examinar a inscrição da voz como escritura e alteridade. Em Henri Bergson será discutida a relação entre corpo, memória e experiência. Com isso, busca-se estabelecer perspectivas outras sobre o que se pode compreender, na atualidade, como experiência, voz e memória na dimensão do corpo, tanto no seu sentido físico, quanto no social.

 


Palavras-chave


voz, memória, experiência, narrador

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DOI: https://doi.org/10.15600/2236-9767/impulso.v25n62p89-96

ISSN Eletrônico: 2236-9767