Comunicação e Não Comunicação em Psicanálise: abordagem de seis autores

Maria Dolores Alvarez

Resumo


Acomunicação humana é um aspecto desenvolvido a partir dos estímulos iniciais do desenvolvimento emocional do bebê, na interação afetiva dele com sua mãe, à qual está fusionado. Nessa etapa, desenvolve-se uma comunicação silenciosa que NÃO deve ser desconsiderada. Tal comunicação é a mais primitiva e fundamental e deve continuar existindo no homem, pois é anterior à comunicação por meio da fala. A postura técnica de Winnicott (1963) enfatiza a importância do silêncio que deve ser levado em conta, para que não haja violação do núcleo do self. Daí os cuidados no manejo da técnica psicanalítica na relação paciente-analista, visto que a não comunicação nem sempre é resistencial. A atitude do analista, ao não ser invasivo e intrusivo, propicia o desenvolvimento da alteridade, bem como o respeito e o resguardo desse direito legítimo e ético de não se comunicar. Faz-se uma comparação com a postura de Freud (1912) quanto à regra fundamental da psicanálise e o talking cure de Anna O. Aborda-se, ainda, a posição de outros analistas com relação ao não se comunicar: Ogden (1996) introduz o terceiro analítico criticando a regra fundamental da psicanálise; Ferenczi (1992) relaciona o não se comunicar com a psicopatologia; Nacht (1967) enfatiza a não comunicação articulando-a com estados fusionais e pré-objetais; Balint (1994) ressalta a importância da relação paciente-analista mais do que a interpretação que o psicanalista faz do paciente que apresenta falhas básicas em seu desenvolvimento, as quais emergem nas sessões de análise em situações de silêncio.  


Palavras-chave


COMUNICAÇÃO, NÃO COMUNICAÇÃO, MANEJO TÉCNICO, ÉTICA, ALTERIDADE.

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DOI: https://doi.org/10.15600/2236-9767/impulso.v21n52p87-98

ISSN Eletrônico: 2236-9767